Infraero tinha examinado e aprovado pista de Congonhas

Desde janeiro, pilotos de várias empresas aéreas vinham alertando as companhias sobre problemas com a pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde um avião da BRA derrapou, na quarta-feira, 22, ao aterrissar debaixo de chuva, quase caindo na Avenida Washington Luís. "Se queixaram de que ela ficou escorregadia, após o recapeamento do fim de 2005", disse o coordenador da Comissão de Segurança de Vôo do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), Ronaldo Jenkins. O problema foi levado à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), nas reuniões de janeiro e fevereiro do sindicato, no Rio. "Diante disso, a Infraero, que participa da comissão, mediu o coeficiente de atrito na pista com o aparelho mu-meter e informou, no dia 15 de março, que o resultado estava dentro dos parâmetros", afirmou Jenkins. Segundo ele, o equipamento joga uma película de água no asfalto para fazer a medição do atrito. Risco continuaUm comandante, que pediu para não ser identificado, disse que o risco continuava e não foram feitos cortes transversais no asfalto (grooving), que ajudam a escoar a água. A BRA também culpou o estado da pista pelo acidente.A Infraero informou hoje que, "durante a operação de pouso do avião da BRA, a pista de Congonhas estava em perfeitas condições, mesmo debaixo do temporal, e segue todas as normas". O Departamento de Aviação Civil (DAC) não começou as investigações, mas vai verificar a drenagem. Pista críticaO diretor de Segurança do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, disse que qualquer pista com menos de 2 mil metros - a principal de Congonhas tem 1.949 metros e a de Cumbica, 3.700 - é considerada crítica. "Sou contra pousos e decolagens com chuva intensa ali." Mas ele afirmou que a pista não tem problemas de drenagem e elogiou a manobra do piloto. A BRA não atendeu ao pedido de entrevista com o piloto, mas informou que ele cumpriu a jornada habitual, de 11 horas. A empresa disse que o atraso sofrido no vôo em Salvador, para manutenção do jato, foi normal.

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