Infraero vai cadastrar moradores em Cumbica

A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) deve começar no próximo mês a cadastrar parte dos moradores de seis bairros nos arredores do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, na Grande São Paulo, que estão na área a ser desapropriada para a construção de uma terceira pista para pousos e decolagens. Estima-se que há, nesses locais, pelo menos 2.700 moradias. Pelos cálculos da prefeitura local, baseados no Censo do IBGE de outubro de 2000, mais de 13 mil pessoas serão afetadas.A desapropriação foi oficializada por decreto do governador Geraldo Alckmin (PSDB), publicado em 17 de janeiro no "Diário Oficial" do Estado. Pela determinação, a Infraero vai arcar com as indenizações, que não deverão custar menos de R$ 100 milhões. A área, porém, não será usada para a construção da terceira pista, mas para retirar moradores das cabeceiras e de pontos de segurança do aeroporto.O cadastramento, que deve terminar em dezembro, determinará como cada morador será indenizado. De acordo com o superintendente da Infraero na regional sudeste, Tércio Ivan de Barros, não deverá ser fixado um valor único por metro quadrado."Há no local vários tipos de moradores: os que têm documentação, os que ainda não conseguiram a escritura e os invasores", disse. "Há também a diferença de preços dos imóveis entre os bairros."BoatosSegundo o secretário de Economia e Planejamento de Guarulhos, Roberto Moreno, a prefeitura quer criar um bairro-padrão para abrigar os desapropriados. "Será nos mesmos moldes das cidades construídas no lugar de municípios inundados por hidrelétricas", diz Moreno.A prefeitura está estudando uma parceria com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), do governo do Estado, e com a iniciativa privada. A Infraero nega que haja esse tipo de ação em andamento. "São especulações", garante o superintendente.A idéia, mesmo antes de ser oficializada, não agrada aos moradores, que não sabem como agir. Sem informação, eles se desesperam. Algumas casas estão para alugar há mais de quatro anos, quando os boatos de desapropriação ficaram mais fortes."Meu vizinho não termina a casa nem aluga para ninguém. Estamos todos inseguros e sem saber o que fazer", afirma a cabeleireira Esmeralda Claudina de Omena, de 33 anos. Ela mora há cinco anos com a família no Jardim Santa Lídia, bairro que deverá ter pelo menos 20% da área desapropriada.SonhoA poucos quilômetros dali, no bairro Haroldo Veloso - provavelmente o que será mais atingido pela medida -, a provável desocupação tira o sono do aposentado Alan Kardec da Silva, de 47 anos. Ele estava construindo a casa de seus sonhos, com paredes arredondadas, projetada desde que ele era menino. Agora, a moradia não deve ser finalizada. "É triste ver um sonho transformar-se em nada e você nem ser compensado por isso." Ele estima que o terreno, que inclui uma mercearia e outra casa, esteja avaliado em R$ 90 mil. "Não acho que vão me pagar tudo isso."A prefeitura de Guarulhos e a Infraero pretendem criar uma agência de informação para os moradores. "Vamos evitar os boatos e orientar as pessoas", garante Moreno.A terceira pista do aeroporto só deverá ser construída daqui a dois anos, com custo de aproximadamente R$ 300 milhões. A obra vai, de acordo com a Infraero, aumentar a capacidade de pousos e decolagens do aeroporto dos atuais 250 mil por ano para 450 mil.

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