Infraestrutura, etanol e educação formam tripé do plano de governo

Essas mesmas diretrizes também servirão de base para a campanha dos candidatos tucanos nos Estados

Adriana Carranca, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

O PSDB já definiu as principais diretrizes do plano de governo de José Serra. São infraestrutura e logística, economia verde (leia-se etanol) e educação para o emprego. Essas três linhas também servirão de base para a campanha dos tucanos nos Estados.

A primeira área definida como estratégica para o tucanato, infraestrutura e logística, toca no ponto mais fraco do governo Lula, que é o sistema de portos, aeroportos e estradas, à beira de colapso diante do crescimento da economia. E é uma bandeira da petista Dilma Rousseff, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Os tucanos pretendem convencer o eleitorado de que o Brasil de Lula cresce de forma insustentável. Serra tem falado em seus discursos sobre a sua "preocupação" em relação ao "desequilíbrio" da balança comercial. Para ele, o crescimento de 9% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre se deu por conta de uma "base de comparação fraca". "No ano passado, a economia ficou estagnada. É natural que o crescimento seja maior agora. Estou feliz com isso", repetiu Serra em entrevistas, na terça- feira. "Mas me preocupa que o investimento agregado caiu e o desequilíbrio externo esteja galopando, com a aceleração das importações e o comportamento moderado das exportações."

A promessa de Serra na área econômica se concentrará no incentivo às exportações. Além de investimentos em infraestrutura e logística para o escoamento da produção, o plano de governo defenderá a desoneração de impostos. A uma plateia de empresários do setor sucroalcooleiro, na segunda-feira, Serra prometeu reduzir e unificar a alíquota do ICMS sobre o etanol. "O governo federal tem que se jogar nessa negociação", disse.

O etanol é outro trunfo do PSDB para confrontar um dos temas repetidos por Dilma: o pré-sal. O argumento dos tucanos será de que o petróleo é uma "agenda negativa". O plano de governo trará incentivos à chamada economia verde. A proposta é para que os lucros da exploração do petróleo e gás do pré-sal sejam destinados a um fundo verde para investimentos na produção e exportação de etanol e no desenvolvimento de fontes alternativas como energia solar.

O último pilar do tripé é "educação para o emprego", ou seja, a qualificação profissional, que leva o trabalhador a conseguir maior renda. Emprego e renda são fatores que impulsionam a preferência por Dilma, segundo pesquisa do Ibope, publicada no Estado no domingo, que mostrou empate entre a petista e o tucano, com 37% das intenções de voto.

O PSDB pretende fazer comparações entre o governo de Lula e o de Serra, em São Paulo, em temas como ensino técnico. "Vamos mostrar que Serra fez mais em São Paulo do que o presidente Lula em todos os Estados brasileiros", disse o coordenador do plano de governo de Serra, Xico Graziano. Agrônomo e secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Graziano afirma que o tema irá nortear o programa: "O plano de governo de Serra começa e termina no meio ambiente." Entre as propostas, Serra tocará em assunto polêmico no governo Lula, a revisão do Código Florestal. "Isso é uma questão estratégica para o País."

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