Inglesas admitem que forjaram furto

Elas queriam receber seguro; até 22h30, não havia sentença

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

18 Agosto 2009 | 00h00

As advogadas britânicas Rebecca Turner e Shanti Andrews, ambas de 23 anos, admitiram em depoimento ao juiz Flavio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, que forjaram um furto para poder receber o dinheiro do seguro das bagagens. Elas começaram a ser julgadas na tarde de ontem no Tribunal de Justiça do Rio. Até 22h30, o juiz não havia dado a sentença. Shanti, a primeira a depor, demonstrava nervosismo. Ela contou que, durante uma viagem a Foz do Iguaçu (PR) teve um laptop furtado. Ao registrar a ocorrência, já no Rio, dias depois, Shanti e a amiga decidiram incluir outros objetos que não haviam sido levados, como uma bolsa, celular e câmera digital. A intenção era receber o dinheiro do seguro. Segundo ela, a dica foi repassada por outros mochileiros. Aparentando estar mais calma, Rebecca também confirmou a intenção da dupla de dar o golpe da bagagem. Ela disse ainda que o furto ocorreu em 13 de julho, mas elas contaram aos policiais que o crime havia ocorrido no dia 25 (na véspera do registro da ocorrência), para que o caso não levantasse a desconfiança da seguradora. Policiais da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo também prestaram depoimento ao juiz Flavio Itabaiana. O policial Alexandre Chaves disse que a história das inglesas chamou a atenção porque elas estavam muito calmas ao registrar a ocorrência. Ele disse, então, que foi dado um telefonema para o albergue em que elas estavam hospedadas. Pediu-se que um funcionário verificasse se alguns objetos que teriam sido roubados estavam no quarto. O funcionário disse que conseguiu ver uma bolsa, como a que as britânicas haviam descrito. Os policiais, então, foram até a pousada, localizaram a bolsa, a câmera e o celular e prenderam Shanti e Rebecca por estelionato. As duas ficaram seis dias em carceragens da Polinter e no presídio de Bangu 7. Elas relataram as péssimas condições de higiene e superlotação e disseram que tiveram medo de sofrer violência sexual por parte de outras presas. Shanti e Rebecca chegaram ao Brasil no início de julho. As duas fazem juntas uma viagem pelo mundo que já dura nove meses. Os pais das advogadas estão no Brasil para acompanhar o processo.

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