GIOVANA GIRARDI/ESTADÃO
GIOVANA GIRARDI/ESTADÃO

Inhotim estuda formas de ajudar na recuperação da vegetação destruída pela lama

Dados preliminares do Ibama mostram que ao menos 269,8 hectares de vegetação foram destruídos pelos rejeitos de mineração

Giovana Girardi, enviada especial, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2019 | 19h52

BRUMADINHO - O Instituto Inhotim estuda maneiras de ajudar na recuperação da vegetação destruída em Brumadinho com a passagem da lama de rejeitos após o rompimento da barragem da Vale no último dia 25. 

Além de um museu de arte contemporânea a céu aberto, o local abriga um Jardim Botânico e é ladeado por uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de 250 hectares, de propriedade dos mesmos donos. O Jardim Botânico tem banco de sementes e coleções de plantas. Já a reserva tem uma vegetação muito similar à da área que foi devastada.

Segundo dados preliminares do Ibama, obtidos por meio de imagens de satélite, pelo menos 269,84 hectares de vegetação foram destruídos pelos rejeitos de mineração – 133,27 hectares de vegetação nativa de Mata Atlântica e 70,65 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo de cursos d'água afetados.

Lucas Sigefredo, diretor do Jardim Botânico, explica que o local conduziu ao longo dos últimos sete anos um projeto em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e verba do Fundo Clima justamente para a recuperação de áreas degradadas pela mineração. Foi feito um estudo florístico e fitossociológico (sobre distribuição de comunidades vegetais) da RPPN, foi construído um laboratório de reprodução vegetal e um banco de germoplasma. Esse material poderia ajudar num processo de restauração florestal.

“Nós também estamos ainda fazendo experimentos de recuperação de três áreas, que somam 5 mil m2, testando diferentes metodologias. Isso nos ajuda a entender como se dá esse processo no pós-trauma de um uso mineral, mas não de uma tragédia. Ainda vamos ter de estudar como isso poderia ser feito”, explica Sigefredo. 

“A natureza é resiliente, desde que a deixemos quieta, e algumas técnicas já conhecidas podem acelerar algum processo. Mas o ambiente do desastre ainda está caótico, incerto. Estamos nos colocando à disposição para articular esses conteúdos todos e buscar um modo de ressignificar o território. Não sei se já dá para falar em recuperar, mas devemos pensar em formas de mitigar os danos causados a esse território”, diz.

Sigefredo mora na zona rural de Brumadinho e viu a estrada que pegava todo dia, há 15 anos, para chegar ao instituto, ser destruída pela lama de rejeitos. “Perdi amigos, colegas, ex-funcionários. Perdi uma paisagem. Meu compromisso é integral em ajudar a região, a projetar uma nova Brumadinho, talvez com uma nova matriz econômica.”

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