Inquérito da morte de Toninho ainda não está encerrado

O delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, Luiz Fernando Teixeira Lopes, comunicou hoje, em Campinas, que o inquérito sobre a morte do prefeito Antonio da Costa Santos ainda não está encerrado. Lopes, que preside as investigações, se reuniu com a família de Toninho, a comissão criada na prefeitura para acompanhar o caso e a prefeita Izalene Tiene (PT).Depois de apresentar um relatório das investigações, o delegado disse que estão previstas novas diligências e depoimentos para os próximos dias, mas não entrou em detalhes. Ele não descartou a possibilidade de uma acareação, em São Paulo, entre Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e Cristiano Nascimento de Faria, o Cris, suspeitos de terem participado da quadrilha que matou o prefeito, há seis meses.Em depoimento à polícia de São Paulo, Cris revelou ter ouvido um membro da quadrilha comentar que o crime foi cometido por Anderson José Bastos, o Anso, Valmir Conte, o Valmirzinho, Valdecir Souza Moura, o Fiinho, e o próprio Andinho. Eles estariam em um Vectra prata encontrado próximo ao local do assassinato e que pertencia a Walmirzinho.Anso e Walmirzinho morreram em confronto com a polícia de Campinas em um condomínio em Caraguatatuba. Fiinho foi morto por policiais no dia da captura de Andinho. De acordo com a versão de Cris, Andinho é o único sobrevivente do grupo que matou o prefeito. Mas o seqüestrador negou participação no caso. Com a negativa de Andinho, fica difícil para a polícia confirmar o autor dos disparos e a motivação do crime. Lopes, porém, não tem dúvida de que Toninho foi assassinado por membros da quadrilha do seqüestrador. Ele apontou alguns indícios que comprovam a participação bando na morte do prefeito. O delegado apresentou como provas o laudo da perícia indicando que os estojos encontrados no local do crime contra Toninho foram disparados pela mesma pistola nove milímetros usada em um seqüestro, quatro dias depois, cuja autoria Andinho confessou. Durante o seqüestro, os bandidos também dispararam tiros de uma arma calibre 45, usada em uma tentativa de assalto ao motorista de um Vectra verde, minutos antes do assassinato de Toninho, pelos ocupantes do Vectra prata. Os laudos da perícia, o próprio Vectra prata, que era usado por Walmirzinho, e o depoimento de Cris fecham o cerco contra a quadrilha de Andinho, acredita Lopes.De acordo com o advogado criminalista contratado pela família do prefeito e pela prefeitura, Ralph Tórtima Stettinger Filho, a tese de que a quadrilha de Andinho matou o prefeito é aceita "quase por unanimidade" pelos seus clientes. Mas ele reconheceu que são necessários "mais elementos" para encaminhar o inquérito ao Ministério Público, que acata ou não os acusados apontados pela polícia civil."Seria preciso encontrar a arma do crime, comprovar que ela pertencia a alguém da quadrilha ou o Andinho confessar", disse Stettinger Filho. Por isso não está descartada a acareação entre Andinho e Cris. "É difícil excluir a quadrilha do assassinato. Mas com três suspeitos mortos e o único vivo sem confirmar sua participação no crime, é complicado avançar no caso", apontou o advogado. A prefeita e a família já haviam declarado que aceitam a possibilidade de o prefeito ter sido assassinado pelo bando de Andinho, mas querem "provas concretas". Stettinger Filho comentou que o DHPP ainda aguarda o resultado do confronto de digitais encontradas no Vectra. As do retrovisor interno do carro não bateram com as de Walmirzinho, que dirigia o automóvel freqüentemente. A comissão que acompanha o caso cobrou a confirmação do autor dos disparos e pediu esclarecimentos ao DHPP sobre o inquérito de Caraguatatuba, que apura o envolvimento de policiais na morte de quatro seqüestradores, inclusive Anso e Walmirzinho. O caso está sendo analisado pela Corregedoria da Polícia Civil pela denúncia de várias contradições feita pela Ouvidoria de Polícia. A Corregedoria informou que, se for confirmado que os seqüestradores foram executados pelos policiais de Campinas, eles serão afastados dos cargos e indiciados. A comissão quer saber se o episódio no litoral pode estar relacionado com a morte do prefeito.

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