Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Inquérito mostra que Sininho queria se 'exilar' na Inglaterra

Manifestantes pensou em deixar o País depois da Copa; ligações telefônicas que tratam do tema foram interceptadas pela polícia

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

25 de julho de 2014 | 17h48

RIO - A advogada Eloísa Samy, que pediu asilo político ao Uruguai, na segunda-feira, 21, não foi a primeira a cogitar sair do País. A produtora cultural Elisa Quadros Sanzi, a Sininho, tinha a intenção de se "exilar" na Inglaterra depois da Copa do Mundo. O tema foi discutido com advogados e com outros manifestantes, como mostram ligações telefônicas interceptadas pela polícia, em inquérito que fundamentou a denúncia por associação criminosa contra 23 militantes.

Em uma das conversas, em 24 de junho, Elisa diz a um homem chamado Igor (provavelmente Igor D'Icarahy, que também deixou a prisão na noite desta quinta-feira), que está "pensando em exílio". "Acho que vou aceitar ir para Inglaterra com Mohamed para fazer as denúncias do que está acontecendo aqui. Porque ia ser uma espécie de caos, né? Eu me exilar agora, depois da Copa, antes das eleições", diz Elisa. 

Ela ressalta que ouviu advogados em São Paulo e no Rio, que não concordaram com a ideia. Igor também discorda e diz que prefere esperar para saber do que se trata o inquérito policial, que vinha sendo tocado em sigilo pela Delegacia de Repressão a Crimes de Informática. Ele chega a falar que não se confirmaram "prognósticos alarmistas de prisão em massa".

"Esperar é meio burrice. Mohamed naquela época falou isso, inclusive na frente do Marino. É melhor eu solta, fazendo as coisas. E exílio tem poder político muito forte. Imagina uma pessoa ser exilada agora, se a gente fizesse uma boa campanha, um escarcéu internacional. A perseguição que eu estou vivendo não vai acabar, Igor. Tinha um policial na porta da minha casa", reage a ativista.

Ela completa: "O que é esse inquérito, ele vai até onde? Minha vida está virando uma espécie de inferno. Não estou conseguindo trabalhar, militar, fazer nada. É ameaça em cima de ameaça, ameaça de milícia, ameaça de policial. Se eu não for assassinada por um policial, eu vou ser presa, e aí?".

Elisa estava em Porto Alegre, afastada das atividades durante a Copa. Ela foi presa lá, quando a operação Firewall foi deflagrada, em 12 de julho, véspera da final da Copa.

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