Inquérito para investigar Denise vai virar sindicância

Para o ministro Nelson Jobim, inquérito perdeu o objetivo com a renúncia da ex-diretora da Anac

TÂNIA MONTEIRO E LUCIANA NUNES LEAL, Agencia Estado

28 Agosto 2007 | 13h29

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse estar transformando em uma sindicância o inquérito aberto para investigar ações de diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e que isso servirá para "blindar" os futuros novos diretores do órgão.     Veja também: Congonhas não pode mais operar em dias de chuva, diz Jobim Outro diretor da Anac formaliza pedido de demissão Tudo sobre a crise aérea  Especial sobre a crise aérea     Jobim, explicando que o inquérito "perdeu o objeto", porque a intenção era a de afastar Denise Abreu da diretoria da agência, e ela já renunciou ao cargo, disse que, agora, com a sindicância, o que se pretende é avaliar problemas que possam existir na Anac para "blindar" as pessoas que vierem a ser nomeadas para cargos na agência. "Foi o que fizemos na Infraero. Os novos diretores (da Anac) precisam de blindagem", afirmou o ministro, explicando que, "se uma pessoa entra em um ambiente que não sabe como está, acaba se contaminando, e o passado se sobrepõe ao futuro."   Jobim disse que a Controladoria Geral da União (CGU) tem gente "competente e especializada" para fazer a sindicância. No depoimento, o ministro da Defesa disse que não pode "sacrificar a segurança (na aviação) a bem dos custos." Ao explicar as funções da nova Secretaria de Aviação Civil que ele pretende institucionalizar no ministério da Defesa, ele contou que ela não fará uma simples articulação, e sim agirá como um órgão executivo do Conselho de Aviação Civil. "Na aviação civil há quem mande e há quem obedeça."   Mais cedo, o ministro reconheceu que enfrenta dificuldades para encontrar  profissionais com perfil adequado às vagas que foram abertas na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).  Ele pediu ajuda aos parlamentares para encontrar profissionais com perfil adequado. "Não é fácil conseguirmos reposições porque ninguém quer entrar nessa história. Antes, todos queriam", disse ele, ao comentar que os nomes sondados para a Anac ainda não foram fechados. "Os nomes sondados dizem 'isso é abacaxi; eu não vou entrar nessa coisa'", comentou.       Segundo o ministro, para ocupar os cargos na agência, é preciso "uma pessoa que conheça o sistema de fiscalização e regulação, além de economia", referindo-se ao cargo deixado por Denise Abreu. Na opinião dele, também é preciso alguém que conheça de transporte aéreo, referindo-se ao posto ocupado por Jorge Velozo, que renunciou ao cargo oficialmente na manhã desta terça-feira. Ele lembrou que todos têm de entender de operações do mercado aéreo.     Jobim afirmou que quer resolver em 15 dias as substituições tanto de Velozo como da ex-diretora Denise Abreu, que renunciou ao cargo na última sexta-feira. Ele explicou que as substituições devem ser feitas de forma rápida porque, para tomar decisões, a Anac precisa de ter pelo menos três ocupantes no cargo.   Com isso, o ministro sinalizou que a saída do atual diretor-presidente, Milton Zuanazzi, poderia ser adiada um pouco.   "Pretendemos resolver todo o problema em quinze dias". Jobim contou que tem recebido "não digo pressões, mas solicitações", de nomes para diretorias que seriam de partidos políticos. Avisou, no entanto, que isso prejudicaria a operacionalidade da agência.  

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