Inquérito responsabiliza caminhoneiro e empresa

O inquérito policial sobre os acidentes em série na BR-282, que completam amanhã um mês, responsabiliza o motorista Rosinei Ferrari e a Transportes Turatto e Turatto pelo segundo episódio, onde morreram 16 pessoas (outras 11 morreram no primeiro acidente, entre um caminhão e um ônibus). O delegado que preside o inquérito, Rudinei Charão Teixeira, solicitou a prisão preventiva do motorista, que já tinha prisão cautelar decretada desde o dia 10, e também dos proprietários da empresa, Nerci e Gilmar Turatto. Rosinei Ferrari foi indiciado por homicídio doloso eventual. De acordo com o delegado, apesar de não ter a intenção de matar, ao conduzir um veículo em más condições pela rodovia ele assumiu o risco de provocar uma tragédia. O delegado afirmou que as provas e o estado do caminhão, que tinha freio apenas em duas rodas, derrubam a afirmação do motorista de que desconhecia os problemas. Além disso, o mau estado de conservação apontado pelo laudo pericial serviu para que o delegado responsabilizasse também civil e criminalmente os proprietários da Turatto e Turatto. Os seis volumes do inquérito, com 1.150 páginas e mais de cem depoimentos, foram entregues ontem à tarde. O perito Luiz Maran disse que ainda falta um laudo complementar, com os dados do tacógrafo do caminhão de Porto Xavier envolvido no primeiro acidente. Ele foi atingido pelo caminhão de Frederico Westphalen que depois bateu no ônibus que ia para São José do Cedro. A pena prevista para homicídio é de 6 a 12 anos de reclusão, aumentada em um sexto a partir da segunda morte, para cada vítima. Ou seja, a pena pode passar de 20 anos. A advogada de Ferrari não foi encontrada para comentar o caso.

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