Inspeção veicular prevê selo verde ou multa de R$ 525

Testes começam em maio e vão custar R$ 52,89

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2016 | 00h00

Do mesmo jeito que os motoristas infratores estão sujeitos a multas, São Paulo quer autuar quem poluir demais a cidade com seu veículo. A partir de maio, começa a ser colocada em prática a inspeção veicular obrigatória, prevista numa lei que já está há quase dez anos no limbo das normas esquecidas. Quem passar no teste ganha um selinho verde, com uma espécie de holograma para não ser clonado, que deverá ser afixado no vidro do carro ou na lataria da moto. Caso contrário, o motorista poderá levar multa de 300 Ufirs (R$ 525). "Se precisar, vamos multar", promete o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge. "Esperamos que esse seja o maior programa de inspeção veicular do mundo." A inspeção vai custar R$ 52,89 para cada veículo e poderá ser feita em 32 centros, num total de 120 baias de inspeção. A operação, que mede a emissão de poluentes diretamente pelo cano de escapamento, deverá levar apenas seis minutos. O pagamento pelo serviço de inspeção veicular pode virar um crédito tributário para o proprietário do veículo abater no pagamento de um tributo municipal, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Segundo o assessor técnico da secretaria Volf Steinbaum, os donos de carros que não passarem no teste e não se regularizarem também terão problemas para fazer o licenciamento. "É o único jeito de termos resultados", diz. "Caso um veículo seja reprovado, ele poderá voltar gratuitamente em 30 dias para fazer uma nova inspeção", afirma. Para especialistas, a medida é uma das principais formas de evitar que São Paulo não vire uma Vila Parisi. Segundo projeção feita por um grupo de estudos do Instituto de Climatologia da USP, o nível de monóxido de carbono vai aumentar 56,7% até 2020 se o poder público ficar de braços cruzados. Já o de dióxido de nitrogênio pode aumentar até 72,6% e o de material particulado, 72% cravados. Por outro lado, se políticas como inspeção veicular, melhoria da qualidade do diesel usado pelos caminhões e modernização do transporte público forem adotadas até lá, os níveis de monóxido de carbono vão aumentar "só" 31%, e os de dióxido de nitrogênio, 40%. Mas a concentração de material particulado cairia espantosos 44%. "De fato precisamos nos mexer", diz Eduardo Jorge. "Queremos também criar bicicletários em todas as estações de metrô e de trem da cidade, para que mais pessoas no entorno utilizem o transporte público. São medidas pequenas, mas que podem no futuro ter um resultado muito importante."

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