Inspiradas por filmes americanos, cheerleaders se multiplicam em SP

Cidade já conta com mais de dez grupos, em maioria ligados a times amadores de futebol americano

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

24 de setembro de 2008 | 00h00

Jovem líder de torcida namora o capitão do time de futebol americano e faz de tudo para empurrar sua equipe à vitória. Mas há um grupo rival cuja cheerleader está tentando chamar mais a atenção, inclusive dos garotos. Durante a disputa, amizades, lealdade e talentos serão testados e colocados à prova. Comédia com toques de drama. Censura livre.Parece roteiro de algum filme ruim da Disney, vamos e venhamos. Mas para Thaís Mantoanelli, de 16 anos, estudante do 2º ano do ensino médio do Colégio Saint Exupéry, na zona sul de São Paulo, não há nada de fantasioso ou fictício no enredo. "É difícil, viu? Não é diversão. Treinamos quase três horas seguidas nas sextas-feiras e mais três horas e meia no sábado para não fazer feio nos jogos", diz a animada cheerleader do time de futebol americano amador Silver Bullets, que namora há dois meses o linebacker (defensor) do time. "Fora os treinos em casa, sozinha. Não somos animadores de torcida, isso é besteira, gera preconceito. Cheerleader é diferente, faz parte do esporte."Cheerleader é uma coisa tão inerente à cultura americana (e totalmente estranha para a nossa) quanto a pasta de amendoim, caubóis do Meio Oeste, George W. Bush e beisebol. Surgiu no final do século 19, mais precisamente em 1884, nos campos da Universidade de Princeton. O primeiro grito de guerra foi até documentado, tamanha a importância para eles: "Ray, Ray, Ray! TIGER, TIGER, SIS, SIS, SIS! BOOM, BOOM, BOOM! Aaaaah! PRINCETON, PRINCETON, PRINCETON!" (pelo que parece, a rima ainda não tinha sido adotada pelas cheerleaders). Atualmente, há a bobagenzinha de 1,5 milhão de cheerleaders profissionais nos EUA, sem contar os milhões de adolescentes nos colégios e faculdades que sonham em seguir a carreira.A distância e a falta de referências não impediram que dezenas de pré-adolescentes e jovens paulistanas de 14 a 22 anos se encantassem pelos pompons, piruetas e cabelos armados. Além de Thaís e suas quatro colegas do Silver Bullets, há pelos menos outros dez grupos de cheerleaders na cidade, a imensa maioria ligada a times de futebol americano daqui. Com o crescente interesse, já existe até uma Comissão Paulista de Cheerleading (com sigla e tudo, CPC) para juntar as equipes, montar treinos e organizar campeonatos."Eu comecei a me interessar quando vi o filme As Apimentadas, que era sobre um grupo de cheerleaders. Achei superlegal aquele estilo de vida, o jeito das meninas, as apresentações", diz Thaís, que teve muito trabalho para convencer seus pais a deixá-la participar daquele tal estilo de vida. "Chamei umas amigas do colégio e começamos a treinar. Nós mesmas fizemos as roupas. Meu pai achava fútil, mas mostrei para ele que era uma atividade que misturava dança e acrobacia. Não é só segurar o pompom de sainha e ficar pulando."Tudo é copiado à imagem e semelhança das colegas americanas, das roupas às rotinas, dos gritos aos cabelos. Além das Silver Bullets, outros grupos como o Phoenix, o Storm e o Rhynos se reúnem todas as manhãs de sábado para um treino coletivo no Parque Villa-Lobos. Os backflips, handsprings e outros movimentos xerocados dos jogos de futebol americano que passam na ESPN são ensinados pelo técnico e presidente da Comissão Paulista de Cheerleading, Wendell Dantas. Técnico não, "coach", já que nesse esporte tudo é falado em inglês. "Reparei que as garotas estavam se interessando por cheerleading, mas não havia nenhum material por aqui", diz ele, que é professor de inglês. "Por isso procurei grupos americanos, fui atrás de material e traduzi tudo para a nossa realidade."As garotas juram de pés juntos que não há competição entre elas nem picuinhas por causa dos garotos. Mas algumas já entregam que o roteiro de longa-metragem da Disney está sendo seguido à risca. "No colégio, algumas meninas ficam com inveja porque estamos ficando mais populares", diz Carina Broilin, de 13 anos, que, até o ano passado, gostava dos programas Rebelde e High School Musical e hoje gosta mesmo é de cheerleading. "Até mesmo os garotos olham para a gente de uma forma diferente. Já tem até história de menina tentando roubar namorado da outra. Parece filme mesmo, né? Por isso é legal!"SAIBA MAIS Cheerleading usa elementos de ginástica olímpica e dança. As cantoras Madonna e Paula Abdul e as atrizes Teri Hatcher, Sandra Bullock, Reese Witherspoon e Cameron Diaz já foram cheerleaders. As garotas são divididas em categorias, dependendo da idade - de mini (de 6 a 8 anos) até universitário (18 a 24 anos). Segundo o manual de conduta das cheerleaders (isso existe), é preciso sorrir durante todo o jogo, ser modelo de conduta e entender do esporte.

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