Instituições estão em risco no Rio, diz secretário nacional

O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, disse que a transferência do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, é uma medida emergencial, que não representa "solução de nada". "Não podemos nos iludir com isso. Não é a transferencia de um bandido, por mais perigoso que seja, que vai resolver o problema do Rio de Janeiro", afirmou. O secretário classificou a situação do Rio como muito grave. Segundo ele, a natureza do crime nesse Estado se transformou. "Nós não temos mais simplesmente criminalidade no Rio. Temos atos que são políticos, ainda que selvagens, e esses atos sugerem que as instituições estão em risco", disse.De acordo com Soares, é preciso que se esteja atento em relação aos operadores atacadistas de tráfico de drogas e armas. "Nós nos preocupamos e falamos de Fernandinhos Beira-Mar e nos esquecemos que há criminosos de colarinho branco infiltrados nas instituições, lavando dinheiro, operando mecanismos financeiros internacionais que irrigam o Rio de armas e drogas", declarou. Na avaliação do secretário, "se não atentarmos para esse problema, vamos estar nos iludindo." Soares, que participa nesta manhã da reunião do Fórum Metropolitano de Segurança Pública, na capital paulista, admitiu, porém, que a transferência de Beira-Mar neste momento cumpre um papel. "Ela reduz o poder de influência e de comando do criminoso, ainda que possamos tão pouco superestimá-lo", disse. Para ele, é evidente que o traficante é um líder relevante. "Mas há também um mito Fernandinho Beira-Mar", minimizou.30 dias em Presidente BernardesO secretário não soube informar quanto tempo o traficante ficará detido em Presidente Bernardes. Segundo o governo paulista, Beira-Mar deverá ficar no presídio por apenas 30 dias. Ele comentou que o governo federal vai continuar cooperando com o governo carioca. Soares, no entanto, ressaltou que a transferência do traficante e o envio de três mil homens do Exército para reforçar a segurança no Estado não são suficientes para garantir a tranqüilidade dos cariocas. "O Rio é um Estado que precisa se reorganizar e, com a transferência, ganha tempo para que tenha a possibilidade de reordenar seu sistema penitenciário", comentou.Para ajudar a entender a violência e o poder do tráfico no Rio de Janeiro: O Mapa do Tráfico no RioO tráfico de Beira-Mar Exército da Colômbia anuncia a prisão de Fernandinho Beira-Mar> Beira-Mar liga políticos e policiais ao tráfico> Fernandinho Beira-Mar é transferido para o Rio Beira-Mar lidera motim em Bangu e mata rivais De segurança máxima, prisões têm só o nome Bangu 1: 14 anos, 48 celas e muitas ´personalidades´A segurança máxima. Aqui e nos EUAUma penitenciária à prova de Beira-MarBeira-Mar: da infância pobre ao comando do tráficoVeja o especial:

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