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Integração não é solução, diz PM mineira

O chefe do Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Severo Augusto, disse hoje que a corporação ainda precisa estudar o pacote de integração das polícias militar e civil, divulgado pelo ministro da Justiça, José Gregori. Mas adiantou que, em uma avaliação preliminar, entende que "o problema do ser e do fazer polícia no Brasil não está ligado às questões de comando, estrutura e organograma das organizações policiais"."Se assim fosse, os Estados da federação que assim já trabalham (com as polícias militar e civil integradas) não teriam índices de violência e criminalidade tão altos como têm", disse.AvançoNa Bahia, embora tenha considerado um "avanço" o pacote de medidas, o governador da Bahia, César Borges (PFL), entende que o Palácio do Planalto está perdendo a oportunidade de efetivar mecanismos concretos para controlar a segurança pública. Borges destacou como ponto do conjunto a possibilidade de transferir policiais de outros Estados para locais onde eventualmente ocorram greves da categoria. "É um pessoal treinado para o policiamento, ao contrário do Exército", disse.Segundo ele a "força-tarefa" que o governo pretende criar precisa ainda ser detalhada e o mecanismo de "comando único" para as polícias ficou "no meio do caminho" entre a situação atual e a unificação das corporações. Borges lamentou o fato de não haver mecanismo para evitar a candidatura política de policiais. Ele defende um dispositivo que exclua sumariamente da corporação o integrante que se candidatar a cargo eletivo.VanguardaNo Rio de Janeiro, o vice-presidente do Instituto de Segurança Pública do Estado (ISP), Carlos Alberto Lopes, elogiou o pacote para unificar os comandos das polícias Civil e Militar. "O pacote do governo só mostra que o Rio está na vanguarda, porque fomos o primeiro Estado da Federação que desenvolveu um projeto para integrar em um único comando as polícias Civil e Militar", disse Lopes. Para isso, o governador Anthony Garotinho criou, em dezembro de 1999, o ISP. O projeto gerou protestos de várias entidades ligadas às duas corporações, mas hoje o instituto reúne cerca de 5 mil policiais, que aderiram voluntariamente. "Nós não obrigamos ninguém a aderir ao ISP. Isso é uma decisão de cada policial", explicou Lopes.IntegraçãoEm São Paulo, a reação ao pacote foi boa. Para a Secretaria da Segurança Pública do Estado, as diretrizes adotadas não mudarão em nada sua política, pois a atual administração pôs em funcionamento um programa de integração das instituições em abril de 1999. No final do ano, os gabinetes do secretário da segurança, do comandante da PM e do delegado-geral da Polícia Civil funcionarão em um mesmo prédio. Apesar de considerar um acerto a integração, o coronel José Vicente da Silva, pesquisador do Instituto Fernando Braudel de Economia Mundial, disse que o governo deveria ter enviado já ao Congresso um projeto que previsse a transição da fase atual para uma futura polícia única. "Estão oferecendo soluções para crises esporádicas na polícia, ainda que graves, como as greves, mas não estão tomando medidas de fundo que resolvam os problemas crônicos da área."O presidente da Associação Nacional de Cabos e Soldados, o deputado estadual paulista Wilson de Morais (PSDB), afirmou que, embora a entidade defenda uma polícia única e desmilitarizada, o governo federal escolheu o caminho certo, pois seria impossível unir as polícias de uma hora para outra.

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