Intensificado combate à dengue na região de Araçatuba

A Secretaria de Estado da Saúde intensificou as ações de combate à dengue em 20 municípios da região de Araçatuba, onde estão concentrados 40% do total de casos confirmados da doença em São Paulo. Esses municípios contabilizam 850 casos dos 2,2 mil confirmados em todo Estado. Na região uma pessoa morreu com sintomas da dengue hemorrágica. O caso está sendo investigado pela secretaria e pela polícia. A explicação dos sanitaristas é o clima quente, a grande quantidade de lagos e rios e a aproximação com o Mato Grosso do Sul, onde a epidemia é mais abrangente. Na tentativa de frear a epidemia, a Saúde apressou o treinamento de equipes de médicos e enfermeiros municipais e passou a auxiliar no fluxo de doentes para os postos de saúde, na tentativa de esvaziar os prontos-socorros que estão sobrecarregados com os atendimentos. Ao mesmo tempo, a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) aumentou o repasse da quantidade de equipamentos e de venenos doados aos municípios para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Um desses municípios é Birigüi, campeão estadual em número de doentes, com 334 casos confirmados e 1,2 mil suspeitos. Com 110 mil habitantes, o município tem apenas um pronto-socorro, que está recebendo 700 pacientes por dia, 60% com sintomas da doença. Numa tentativa desesperada de impedir a escalada da epidemia, o prefeito de Birigüi, Wilson Carlos Borini (PMDB), pensou em contratar um avião pulverizador para borrifar veneno em toda a cidade, mas foi convencido pela Sucen de que a medida seria inútil. A saída foi decretar estado de calamidade pública, no último sábado, para poder contratar, sem concurso público, 114 agentes de saúde que vão trabalhar no combate da doença de casa em casa. A Câmara Municipal de Birigüi aprovou uma lei obrigando as imobiliárias da cidade a liberar os imóveis para vistoria dos agentes de controle de vetores e zoonoses do município. A situação se agrava ainda mais quando se aproxima da divisa com o Estado do Mato Grosso do Sul. Em Andradina e Ilha Solteira, duas cidades de fronteira, o sistema de saúde está entrando em colapso. No Hospital de Base de Ilha Solteira e no Pronto-Socorro de Andradina, centenas de pessoas, com sintomas da dengue, aguardam o atendimento em filas diariamente. Ilha Solteira diagnosticou 213 casos e Andradina, 69, mas há ainda outros 1,2 mil suspeitos. Em Andradina, a dona de casa Lourdes de Fátima, de 50 anos, morreu no domingo com os sintomas da dengue três horas depois de passar duas vezes pelo serviço de pronto atendimento do município. Lourdes, que morava em Jumirim, na região de Sorocaba, estava na cidade visitando familiares, mas no dia 19 de fevereiro começou a sentir os sintomas da dengue. Como não teria recebido o atendimento adequado, a família acusa o serviço médico de negligência. A secretaria municipal de Saúde informou que, por conta da epidemia, os médicos são autorizados apenas a medicar e liberar todos os pacientes.

Agencia Estado,

28 Fevereiro 2007 | 19h35

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