Interior paulista tem um admirador de Saddam Hussein

Quase que anonimamente em São José do Rio Pardo, interior de São Paulo, o comerciante de calçados Basm Khalil é um homem que tem muito o que contar sobre Saddam Hussein e seu Exército. Ele foi um dos escolhidos pela empresa brasileira Engesa, na década de 80, para ensinar oficiais iraquianos a usarem armas nacionais, como os carros Urutu e Cascavel, em caso de conflito. Profundo conhecedor dos oficiais iraquianos, Khalil, que chegou pela primeira vez ao Brasil em 1969, formou-se em engenharia de armas na década de 70. "Saddam não é só guerra, ele investiu na agricultura, na irrigação, na modernização urbana. Há 20 anos, Bagdá tinha um ou dois hotéis. Hoje, a cidade tem mais de 20", elogia. Em 1979 foi para o Iraque pela primeira vez. O profundo conhecimento da língua árabe lhe permitiu conhecer de perto o líder Saddam, com que conversou durante uma aula em Bagdá, em 1980, pouco antes do início da Guerra do Golfo. O jordaniano, que é admirador de Saddam Hussein pelo modo com que modernizou o Iraque, diz que além do petróleo, a guerra pode representar o fim bélico do país, que é a única ameaça ao Estado de Israel, na região. Ele guarda as fotos desta época, quando usava o uniforme do Exército do Iraque. Antes da Guerra do Golfo, os árabes viam o país muçulmano como quarta maior potência bélica. De acordo com Khalil, as forças americanas são muito superiores, para que os iraquianos resistam, mas isso não será suficiente para que Saddam deixe de ser um ídolo para os árabes. O comerciante decidiu se radicar em São José do Rio Pardo por causa da família da mulher, Vera Lúcia. Vive hoje do comércio, tendo um único filho. Além do Iraque, trabalhou como instrutor de armamentos em outros países, como a Líbia, onde ficou algum tempo. Na época, o Brasil era um dos principais fornecedores de armas para Saddam Hussein.Veja o especial :

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