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Interior vê suas histórias em risco

Cidades recorrem ao Estado para tentar tombar seus bens

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

Nos últimos 15 anos, a prefeitura de Caieiras, na Grande São Paulo, enviou ao Estado ao menos cinco pedidos para tombar os bens que considera relevantes - além de igrejas e capelas, quer proteger dois fornos de cal construídos em 1877, que serviam para abastecer a crescente construção civil de São Paulo. A cidade tem "outras prioridades" antes da implantação de um conselho próprio de patrimônio para protegê-los. O Estado não considera que os bens tenham relevância suficiente para serem tombados. Desativados desde a década de 1980, os fornos de cal estão abandonados e o proprietário - a Companhia Melhoramentos - não tem planos para nova utilização."Se não houver preservação, pode acontecer como a vila operária do século 18 que existia aqui e que foi totalmente destruída para plantar eucaliptos", afirma o diretor do Departamento de Cultura da cidade, Joaquim Costa Filho, autor dos pedidos de tombamento dos bens desde 1994. Ele não cogita criar um órgão municipal de preservação, já que "não são muitos os bens relevantes".Conforme o Estado apurou, essa situação é comum a vários municípios do interior. "O ideal seria que cada município tivesse responsáveis pela preservação do patrimônio, mas sabemos que há cidades pequenas que têm outras prioridades. Deve-se achar alternativas de gestão urbana, como inclusão dos bens no plano diretor do município", diz a historiadora Marly Rodrigues, diretora da divisão técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em São Paulo. "Também se pode proteger por decreto do Executivo."A descontinuidade política é outro problema. Em Batatais, um conselho foi criado em 1991, mas funcionou de forma intermitente nos anos seguintes. "Na primeira gestão, oito bens foram tombados. Depois, o órgão acabou", afirma José Henrique Barbieri, diretor da biblioteca do município e ex-integrante do grupo. Nos anos em que o conselho não atuou, ao menos dois bens que apresentavam interesse local de preservação deixaram de existir, segundo Barbieri. "Um antigo teatro de pau-a-pique e a primeira sede da prefeitura foram ao chão", conta. A presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), Rovena Negreiros, afirma que falta aos municípios do interior interesse político para preservação do patrimônio. "Nossa demanda é alta porque os municípios não conseguem se organizar dentro de seus limites para dar conta do problema", disse. "O Estado não pode tombar tudo. Ainda assim, o Condephaat continuará fazendo seus estudos e, mesmo que não haja interesse de preservação estadual, vai disponibilizar aos municípios as análises, se houver interesse no tombamento local."

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