Interiorização do sistema prisional gerou turismo para presídios

O turismo forçado dos parentes de presidiários, como os que morreram no acidente com um ônibus na madrugada deste sábado, na Rodovia Raposo Tavares, é uma decorrência da descentralização do sistema prisional do Estado, antes concentrado na Capital. O processo teve início em 1995, na primeira gestão do ex-governador Mário Covas, falecido há um ano e meio. Naquela ocasião, para reduzir o excesso de lotação do Complexo Penitenciário do Carandiru e retirar presos já condenados das cadeais públicas de São Paulo, Covas colocou em licitação os primeiros lotes de presídios no interior.A Penitenciária Estadual de Dracena, para onde seguia o ônibus que colidiu com uma carreta, matando 19 pessoas e deixando feridas outras 27, foi construída como parte desse projeto. Recentemente, para desativar parte do Carandiru, o governador Geraldo Alckmin acelerou o remanejamento dos presos para o interior. Essa transferência tem obrigado as famílias residentes na Capital a grande deslocamentos para visitar os parentes presos. A Grande São Paulo responde por mais de 50% da população carcerária do Estado.Todo fim de semana, pelo menos 300 ônibus saem de São Paulo com destino ao oeste do Estado, que concentra o maior número de novos presídios. Eles partem no início da noite de sexta-feira das imediações do Carandiru. As viagens podem durar 10 horas. Além de empresas, esse serviço de transporte coletivo é explorado por motoristas autônomos. Não há uma fiscalização regular e muitos passageiros embarcam em ônibus obsoletos, retirados de circulação pelas empresas maiores. Os casos de avarias são freqüentes. Os viajantes permanecem em pousadas ou "repúblicas" - casas alugadas especialmente para isso - enquanto esperam os horários de visitas. No domingo, é iniciada a viagem de volta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.