Internação de ciclistas cresce 23,6% no Estado

Em 4 meses, foram 1.140 ingressos em hospitais públicos; número de mortes saltou de 14 para 24

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

04 Julho 2009 | 00h00

O Estado de São Paulo registra diariamente nove internações de ciclistas envolvidos em acidentes de trânsito, mostra levantamento do Estado. Entre janeiro e abril deste ano, 1.140 ciclistas chegaram aos hospitais públicos - crescimento de 23,6% em relação ao mesmo período do ano passado (922). As vítimas das bicicletas, meio de transporte ainda encarado como recreação, aumentam desde 1996 e remetem à mesma história já contada pelos motoboys (hoje grupo considerado "epidemia" nas estatísticas de morte no trânsito). Os dados fazem parte do banco de dados do Ministério da Saúde, chamado DataSUS. As informações mostram que as mortes de ciclistas também aumentaram (de 14 para 24, no período analisado). Em todo o País, foram ampliadas as ocorrências do tipo em 31,9%, saindo de 2.180 nos quatro primeiros meses de 2008 para 2.877 no último balanço divulgado. Entre as capitais brasileiras, a paulista lidera o ranking de acidentes com bicicletas e concentra 15% de todo o Estado. "As pessoas estão usando mais (a bicicleta) como meio de transporte e alternativa ao trânsito. Sem estrutura viária que as contemple, o número de acidentes aumenta", diz Gilson Alvarista, vice-presidente da Federação Paulista de Ciclismo. Na tentativa de incluir a bicicleta como meio de locomoção "respeitado" no trânsito paulistano, foi publicado ontem no Diário Oficial que a gestão e coordenação da área, chamada de Pró-Ciclista, deixa de ser responsabilidade da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e passa para a pasta dos Transportes. O principal benefício da mudança, avalia o governo, é "facilitar a participação do Pró-Ciclista em todas as etapas de planejamento e também dos projetos desenvolvidos na Secretaria de Transportes", informou a Assessoria de Imprensa da pasta. O analista de sistemas Sérgio Affonso, que todo dia pedala 30 quilômetros entre sua casa e seu trabalho, encarou com otimismo a mudança de endereço da Pró-Ciclista. "É um indício de que deixará de ser vista só como meio de lazer, mas será vista como transporte de fato", avalia Affonso, ativista da associação Amigos da Bike. A necessidade de uma política viária para as bicicletas é reafirmada com o aumento de usuários do veículo como principal meio de locomoção. A última pesquisa Origem e Destino, do Metrô, mostra que dobrou a quantidade de ciclistas - eram 162 mil em 1996, 0,3% do total, e hoje são 305 mil, ou 0,6%. Desde o fim de 2007, a extensão total de ciclovias na cidade continua, no entanto, em 30 km, quando o ideal para uma metrópole como São Paulo, segundo os especialistas, seria ter no mínimo dez vezes mais. Em Bogotá, capital da Colômbia, que conseguiu resolver até o problema dos engarrafamentos de carros com a política de faixas exclusivas para as bicicletas, esse tipo de corredor soma 300 km de vias já construídas. Se as ciclovias ainda são poucas, os outros programas já em funcionamento mostram ampla adesão. A implantação dos bicicletários e do programa de empréstimo de bicicletas feitos na estações do metrô, por exemplo, têm atraído cada vez mais gente. Em nove meses de funcionamento, foram estacionadas 24 mil bikes e cadastradas para "pegar a magrela" emprestada 9,5 mil pessoas (que já fizeram 20 mil empréstimos). "Nossa rede atinge muitas realidades econômicas e a utilização desses programas é democrática", afirma Marcelo Borg, diretor de Marketing do Metrô. "Contempla desde pessoas que utilizam a bicicleta como forma de economizar até os mais abastados, que o fazem por opção ideológica contra o uso do carro."

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