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Internação domiciliar cresce 50% em três anos

Quantidade de pacientes que são internados em casa passou de 92,6 mil, em 2011, para um total de 139,3 mil em 2014

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2015 | 03h00

Corrigida em 4/8 às 18h59

RIO - Aos 83 anos, Zeni Athie sofreu um mal súbito em casa. No hospital, veio o diagnóstico de acidente vascular cerebral e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), grupo de doenças que bloqueiam o fluxo de ar. No caso de Zeni, a DPOC foi provocada por agravamento de bronquite severa. A partir de então, ela se tornou dependente de um respirador.

Passados três anos e meio do episódio, Zeni faz fisioterapia duas vezes por semana, tem acompanhamento de enfermagem 24 horas, que monitora o aparelho que a mantém respirando, a alimentação balanceada por nutricionista e consultas com psicólogo. Tudo em casa. Beneficiária de plano de saúde, é mantida em serviço de internação domiciliar. Do contrário, estaria hospitalizada até hoje.

“Minha mãe ficou completamente dependente”, relata a advogada Miriam Athie, de 57 anos. “Tenho certeza que ela não teria resistido a tanto tempo num hospital. Ela mora na frente do meu trabalho. Posso vê-la todos os dias, tem o carinho da família, está no ambiente dela”, afirma.

Esse tipo de internação está crescendo no País. Dado inédito da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que em 2014 houve 139.388 internações domiciliares – 50% a mais do que em 2011, quando houve 92.664 internações em casa. O serviço não faz parte da lista obrigatória de procedimentos oferecidos pelas operadoras de planos de saúde, exceto quando está claramente estabelecido no contrato firmado entre a empresa e o beneficiário, segundo a ANS. Em 2013, o serviço registrara pico de 326.843 atendimentos, mas o dado está sendo revisto pela ANS. Técnicos do órgão regulador suspeitam que tenha havido erro das operadoras.

Nos últimos anos, também houve salto no número de empresas que prestam o serviço. Eram 108 em 2005; 400 em 2013, segundo censos realizados pelo Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar (Nead).

“Houve mudança no perfil do atendimento, com maior número de pacientes com doenças crônico-degenerativas. E o número de leitos hospitalares não acompanha esse crescimento”, afirmou Leonardo Zimmerman, diretor de negócios da Integral Saúde e vice-presidente do Nead. 

O serviço de home care tem duas modalidades: o atendimento domiciliar, em que os profissionais visitam os pacientes para cuidados ambulatoriais, como fazer curativo e aplicar medicamentos injetáveis. É indicado para pessoas com dificuldade de locomoção. E a internação, para quem precisa de acompanhamento contínuo, aparelho de respiração ou tem escaras complexas.

Queixas. O crescimento das empresas de atenção domiciliar é acompanhado pelo aumento de queixas trabalhistas. A Federação Nacional dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais prepara ofensiva contra as empresas de home care. No Rio, cinco foram denunciadas ao Ministério do Trabalho.

“Há uma degradação das relações de trabalho. Fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas são terceirizados, às vezes ‘quarteirizados’. Há até mesmo contratos verbais”, acusa Diego Torres, presidente do Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais.

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