Internações de motociclistas já superam acidentes com pedestres

Os motociclistas já despontam como principais vítimas do trânsito no Brasil, superando os pedestres - historicamente o principal alvo do tráfego brasileiro. Levantamento feito no banco de dados do Ministério da Saúde, o Datasus, mostra que entre janeiro e maio deste ano 20.622 motociclistas chegaram às unidades públicas de saúde do Brasil após quedas ou colisões. No mesmo período, 13.170 pessoas que estavam a pé chegaram às unidades. Há dois anos, os pedestres ainda eram maioria - 16.710 acidentados ante os 15.752 motoqueiros que deram entrada em hospitais. Para os especialistas, a liderança das motos será ainda mais acentuada caso o mototáxi seja regulamentado. "O número de mortes tende a triplicar", avalia o médico da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) Dirceu Júnior. "O passageiro tira o ponto de equilíbrio do condutor da moto e o garupa vai impulsionar ainda mais as quedas", diz o médico. Ele ressalta que as internações de motociclistas costumam ser muito mais longas e complicadas, o que acaba onerando os serviços públicos. No Estado de São Paulo, o avanço da internação hospitalar dos motociclistas já estava consolidado desde 2007. Nos primeiros cinco meses deste ano, os números sustentam o perigo em duas rodas. As motos "levaram" aos hospitais públicos de São Paulo 6.240 pacientes, ante 3.622 pedestres (quase o dobro). "É uma tendência natural. A frota de motos cresce em proporções galopantes", diz Sérgio Berti, especialista em direção preventiva.

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