Internações de pedestres caem 30%, diz Abramet

Os efeitos creditados à lei seca não ficam restritos aos motoristas mais sóbrios, mostra levantamento divulgado ontem pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). Segundo a entidade, também caiu em 30% a quantidade de pedestres internados após a legislação. A redução de vítimas atropeladas foi ainda mais expressiva do que a baixa de motociclistas internados (23,5%). Entre ciclistas, o índice foi de 22,5%"Álcool e direção aparece como sinônimo de acidente não apenas quando um carro colide com outro", avalia a autora do estudo, Maria Helena de Mello Jorge, professora da USP que atua no Departamento de Epidemiologia e Estatística da Abramet. "Os atropelamentos também são impulsionados pela mistura."O estudo foi feito com base nas internações registradas nos hospitais públicos de todo País, em decorrência de acidentes de transporte. Foram comparados dois períodos - janeiro a junho de 2008 (os seis meses anteriores à vigência da lei) e julho a dezembro do mesmo ano. Pelos números divulgados pela entidade ontem, deixaram de dar entrada nas unidades de saúde neste período 15.602 pacientes vítimas de acidentes. Este balanço, em sua maioria, contabiliza os casos mais graves, uma vez que, em média, o tempo de internação das pessoas é de 5 dias (antes da lei eram 7 dias). Mais uma vez, a economia de recursos públicos é apontada como outro ponto positivo da legislação: R$ 23 milhões em um semestre deixaram de ser registrados na conta do serviço público. A mortalidade hospitalar também foi reduzida em 13,6%, o que indica ao menos 917 mortes a menos no período. "O único fato novo ocorrido no setor de trânsito entre os dois semestres foi a lei seca", afirma Maria Helena. "Por isso, é possível creditar a redução à legislação."

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