Internautas são contra auditório no Ibirapuera

Motivo de polêmica durante toda a semana passada, a construção do auditório projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para o Parque do Ibirapuera, na zona sul, está longe de ser uma unanimidade entre os moradores. Enquete realizada pelo estadao.com.br, por três dias, num total de 20 horas, recebeu a opinião de 2.830 pessoas: 66% delas, ou 1.867 internautas, foram contrárias à obra. Os restantes 34%, ou 963 pessoas, concordaram com a construção. Ao defender a obra das críticas do Ministério Público - para o qual o auditório é ilegal, já que o tombamento, segundo o MP, proíbe a diminuição das áreas verdes e permeáveis -, a prefeita Marta Suplicy afirmou que a população de São Paulo é favorável. Opinião compartilhada pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que deve ir ao parque amanhã para recolher assinaturas em favor do projeto. Na segunda-feira, ele terá audiência no MP com o procurador-geral da Justiça, Luiz Antonio Guimarães Marrey. "Vou fazer um apelo para que ele reconsidere a posição de proibir a construção do auditório", disse o senador. "Trambolho" - "Esse trambolho de concreto se transformará num pólo gerador de tráfego e vai prejudicar o trânsito na região do portão 2 e poluir a beleza do Obelisco, além de obrigar o corte de árvores e reduzir substancialmente a área verde", criticou o artista plástico Ricardo Ramalho, de 35 anos. Ele não concorda com a justificativa de que a obra estava prevista no projeto original do parque, construído em 1954. "Estamos em 2003. A cidade cresceu muito, as áreas verdes foram reduzidas, não se justificando a construção do auditório no parque." Para Pedro Paulo Penna Trindade, é inconcebível a construção do auditório, pois a finalidade principal do Ibirapuera é oferecer espaço livre à população. "Exposições, feiras, festas de casamento e shows de rock podem ser realizados em outros espaços existentes na cidade. Realizá-los no parque é um crime contra a natureza do local." Antigo freqüentador do parque, Luiz Arnaldo de Gusmão Bastos não vê como melhoria o auditório, um projeto de 50 anos atrás. "Será que a cidade ainda é a mesma? Há espaços para crianças e os jovens correrem, jogar bola, andar de patins e de bicicleta? Só a prefeita não enxerga que o parque é um dos poucos locais de lazer dos paulistanos", disse. O aposentado José Maria Costa Coelho, de 73 anos, que freqüenta o Ibirapuera há mais de 20 anos, é um dos poucos que defendem o auditório. Mesmo assim com restrições. Ele não concorda que seja construído ao lado da Oca, na frente do Obelisco. "Essa obra deveria ser erguida onde hoje fica o Viveiro Manequinho Lopes", diz. "Hoje, não há mais sentido do viveiro ficar no parque, restrito a poucos canteiros cercados por alamedas cimentadas." A decisão sobre a obra foi adiada para sexta-feira, quando o juiz Rômolo Russo Júnior concederá ou não liminar para a ação civil impetrada pela MP para impedir que a Prefeitura inicie a construção.

Agencia Estado,

28 Junho 2003 | 22h18

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