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Internautas se mobilizam em 'defesa de todas as famílias'

'Facebookaço' e 'tuitaço' foram marcados para as 12h; depoimento de jornalista sobre a adoção do filho marcou apoio ao ato

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2015 | 15h57


Atualizada às 19h39

Milhares de pessoas participaram nesta terça-feira, 24, de um “facebookaço” e de um “tuitaço” contra o Projeto de Lei 6.583, chamado de Estatuto da Família, que pretende oficializar como “família” apenas núcleos formados a partir da união entre um homem e uma mulher. Apresentado em 2013 pelo deputado evangélico Anderson Ferreira (PR-PE), o projeto acaba de ser desarquivado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e tem por objetivo impedir que casais homossexuais adotem crianças.

A partir do meio-dia desta terça, internautas de todo o País lançaram a iniciativa nas redes sociais usando a hashtag #emdefesadetodasasfamílias. O intuito era mostrar que a família não é formada apenas por casais heterossexuais. 

Ao blog do Estado Ser mãe é padecer na internet, de Rita Lisauskas, o jornalista Gilberto Scofield Jr. divulgou um depoimento sobre a adoção de seu filho, que havia sido rejeitado por três casais heterossexuais.

 “Antes de nós, três casais heterossexuais já haviam visitado PH no abrigo e o rejeitaram: dois porque o acharam ‘muito feio’. O terceiro porque PH era ‘negro demais’. Hoje, completamos quatro meses com ele no Rio, em nossas vidas. Ele está em um pré-escolar, frequenta aulas de natação e ginástica e não poderia estar mais feliz com as novidades da nova vida”, afirmou Scofield Jr.

O jornalista recorda que existe farta literatura científica provando que crianças criadas por casais homossexuais não diferem em nada daquelas criadas por casais heterossexuais.

Ele ainda manda um recado para o presidente da Câmara dos Deputados. “A paternidade virtuosa não é um monopólio da heterossexualidade. E, caso a sua religião não pregue a tolerância (Cunha é evangélico), preste atenção a um fato muito simples: toda criança adotada por um casal de gays ou de lésbicas foi abandonadas, espancada, negligenciada por um casal heterossexual, esse mesmo que o senhor julga ser o único capaz de criar filhos ‘normais’.”

Entre os apoiadores e participantes da iniciativa nas redes sociais estavam o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o escritor Ricardo Lísias e o estilista e designer Carlos Tufvesson.

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