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Internos fazem pacto antifumo

Mesmo antes da lei, unidade da Fundação Casa zerou número de fumantes

, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Caso a liminar que derruba a lei antifumo seja cassada, assim como em presídios, nas unidades da Fundação Casa, o cigarro ficará liberado mesmo após 7 de agosto, data em que entra em vigor a lei que bane a fumaça de todos os outros ambientes públicos e privados do Estado (com previsão de multa de até R$ 3 mil). Ainda que blindados das punições da nova legislação, alguns menores infratores, incentivados por projetos particulares, têm conseguido abandonar o vício. Meninos internados em São José dos Campos, por exemplo, fizeram até "pacto antifumaça".Há cinco meses, enquanto a lei antifumo era só uma discussão entre os deputados paulistas, foi decidido que nenhum dos funcionários da unidade Tamoios, em São José, poderia acender o cigarro dentro da Fundação. "Percebemos que era possível e decidimos aplicar o programa de antitabagismo aos garotos", afirma o diretor da Casa, Edson Baird Ferraz. "O engraçado é que a norma oficial saiu bem no dia 1º de abril e todo mundo achava que era mentira, mas deu certo." Entre os 96 meninos que cumprem medida na Casa, não há mais nenhum que fuma. "Nos primeiros dias foi muito difícil, pensei que não iria conseguir, fumava desde os 13 anos", contou um dos internos, hoje com 17 anos de idade. "Mas canalizei tudo para o futebol e o basquete. Toda vez que tinha vontade de fumar praticava esporte. Quando vi tinha parado."A receita de correr para bola foi adotada pelos outros menores. Outros três garotos que fumavam até a data da norma na Tamoios citaram a mesma fórmula para conseguir vencer o vício. A dica deu certo até para um deles que, com 17 anos, acabava de deixar a dependência de drogas. "Os moleques ficaram mais estressados sem cigarro no início, mas depois melhorou", contou ele. "Sem drogas e sem cigarro, a comida ficou mais gostosa."Em outras unidades da Fundação Casa, o uso do cigarro é permitido, quando autorizado pelos pais. Ainda que faltem estatísticas sobre a dependência entre os menores que cumprem medida socioeducativa, o cigarro na mão dos internos é quase unanimidade, mesmo nos locais que abrigam os infratores com menos de 14 anos. Eles concentram os exemplos de pesquisas como a realizada no ano passado pelo Centro de Referência em Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) que apontou os 12 anos de idade como faixa etária inicial para o fumo. Por enquanto, a lei antifumo não está cogitada para chegar a toda Fundação. Mas bares, restaurantes, casas noturnas, empresas vão precisar banir o cigarro e até as alas de fumantes para não ser flagrados por blitze. Vai ficar difícil para o diretor da unidade Tamoios fumar fora do expediente. Edson Ferraz, bem ao estilo "casa de ferreiro, espeto de pau", contrariou o exemplo dos internos e só não fuma no trabalho. "Fora, eu ainda estou tentando (parar de fumar)".

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