Interpol investiga paradeiro de tesoureiro dos bicheiros do Rio

A Interpol começa nesta sexta-feira, 27, uma busca internacional por Marcelo Kalil, filho do bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão. Ele é acusado de ser um dos tesoureiros da organização que negociava a compra de sentenças judiciais em favor de empresários de máquinas caça-níqueis, alvo de investigação da Operação Hurricane da Polícia Federal. O pedido de busca foi feito na tarde de quinta-feira, 26, pelo delegado responsável pela investigação, Emanuel Henrique de Oliveira. Há suspeitas de que Kalil tenha deixado o Brasil sem utilizar portos ou aeroportos, que têm controle da PF. De acordo com o delegado Glorivan de Oliveira, chefe da Divisão de Cooperação e Operações Policiais Internacionais da PF, 186 países serão notificados do mandado de prisão expedido contra Kalil pela juíza da 6ª Vara de Justiça Federal do Rio de Janeiro, Ana Paula Vieira de Carvalho. Policiais que participam da investigação suspeitam que ele tenha viajado para Miami, nos Estados Unidos, com grande quantia em dólares - especula-se até US$ 15 milhões. Outras duas pessoas apontadas como tesoureiros da organização se entregaram na quarta-feira, no Rio de Janeiro: João Oliveira de Farias e Nagib Teixeira Sauid. No despacho em que acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, a juíza diz que, logo após a operação da PF, Sauid, sócio do Barra Bingo com Júlio Guimarães (sobrinho de outro investigado, Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães), tentou sacar R$ 500 mil. Farias , sócio da Scorpion Lan House Jogos Eletrônicos Ltda, tentou retirar R$ 1,25 milhão. Kalil, de acordo com a denúncia, teria pago, por meio do advogado Sérgio Luzio de Araújo, R$ 150 mil para conseguir decisão do desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim liberando máquinas caça-níqueis. O último dos foragidos teria assumido o lugar do pai. Com 82 anos, Turcão já teria se afastado dos negócios. Ele está entre os detidos pela PF no dia 13, quando a operação foi deflagrada. Desde então, sua advogada, Concyta Aires, tem solicitado exames médicos para o bicheiro, alegando que ele sofre de problemas cardíacos e vem apresentando confusão mental. Luzio, Júlio Guimarães e seu tio estão entre os presos pela PF. Dos 23 detidos, 17 foram levados ontem ao Rio de Janeiro para prestarem depoimentos. Outros quatro - os policiais federais Carlos Pereira da Silva e Susie Pinheiro Mattos, o agente administrativo da PF Francisco Martins da Silva e o policial civil Marcos Antônio Bretas - permaneceram detidos na Superintendência da PF em Brasília. Como funcionários públicos, eles têm direito a apresentar defesa prévia antes que sejam considerados réus no processo.

Agencia Estado,

26 Abril 2007 | 22h22

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.