Interpol notifica 186 países, em busca de telas roubadas

Diretor do Iphan diz que não adianta investir em segurança sem descobrir o mandante

Marcelo Godoy, Renato Machado e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

14 de junho de 2008 | 00h00

A Interpol, polícia internacional com sede em Lyon, na França, notificou 186 países, em busca das quatro telas roubadas anteontem da Estação Pinacoteca, no centro histórico de São Paulo. José do Nascimento Júnior, diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), disse que o órgão mundial repassou imagens dos quadros e pediu atenção redobrada nos portos e aeroportos de todo o mundo."Avisamos a Interpol, que se incumbiu da missão de avisar os países que fazem parte da rede de investigações da entidade", diz. "Só que isso é remédio, né? O grande problema é achar o buraco da bala, e isso depende das nossas instituições, não da Interpol." Principal figura por trás da política de museus do ministro da Cultura, Gilberto Gil, Nascimento Júnior parece cansado de só falar sobre roubos em museus e esquemas de segurança precários."Só me ligam quando acontece algum furto. E não param de me ligar... Aí em São Paulo não é só centro cultural, né? Agora também virou centro de roubos culturais." Cientista social e antropólogo, ele considera que seu telefone só irá parar de trazer notícias ruins quando houver uma grande operação de inteligência para acabar com as redes de roubo de obras de arte. "Não adianta investir em vigias e em câmeras se nunca descobrirmos quem está por trás desses roubos", diz. "Até hoje, por exemplo, não se sabe quem foi o mandante do crime no Masp. Dá para perceber, agora, que não é só problema do Masp. Ontem foi o Masp, hoje é a Estação Pinacoteca, amanhã é o MAM, o MAC... Esse roubo na Pinacoteca é mais uma afronta. Precisamos saber onde está o furo da bala. Não adianta prender apenas quem rouba, mas também quem manda roubar." Nascimento Júnior defende a criação de uma delegacia especializada em patrimônio histórico no Estado - pedido que ele já fez ao governador José Serra (PSDB). "Ou temos um processo de investigação constante ou não vamos conseguir debelar essa situação. É preciso ter gente o tempo inteiro investigando isso, usar grampos e não prender quem estava com a obra e parar nisso."Os policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) começaram a examinar ontem as fitas com as imagens da última semana do interior da Estação Pinacoteca. O objetivo é verificar se os criminosos que participaram do roubo estiveram no museu em companhia de outras pessoas que não tenham participado da ação. Ontem, os policiais ouviram os depoimentos de sete funcionários do museu. Em entrevista ao Estado na noite de ontem, o diretor-executivo da Estação Pinacoteca, Marcelo Araújo, disse que a segurança da instituição foi reforçada, embora não divulgue o que foi feito. A única medida aparente foi o fechamento da porta dos fundos, por onde saíram os ladrões. Para Araújo, os 6 seguranças e 25 atendentes são suficientes para fiscalizar os cinco andares do prédio e que o sistema de câmeras é eficiente. A diretoria, no entanto, está estudando armar seus seguranças e colocar detectores de metais na entrada da instituição. Marcelo Araújo discorda da última opção, pois acha que isso afastaria o público. "O museu é um local de inclusão. Não concordo em colocar obstáculos que possam causar constrangimento."Marcelo Araújo diz que nenhum funcionário será afastado por causa do incidente. Segundo ele, não houve falha por parte dos seguranças, que foram distraídos por um dos ladrões, enquanto os outros efetuavam o roubo. Ontem, o segundo andar da Estação Pinacoteca foi isolado para as investigações e será reaberto somente na terça-feira. Outras obras estarão no lugar das que foram roubadas, mas elas ainda não foram escolhidas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.