Interrogado na PF, Arruda fica em silêncio

Interrogado na PF, Arruda fica em silêncio

Governador cassado se recusa a responder a questões sobre o esquema de corrupção do DF

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

Após 46 dias reclamando por não ter sido ouvido, o governador cassado e preso José Roberto Arruda (sem partido) usou ontem o direito de ficar calado e se recusou a responder ao questionário da Polícia Federal sobre o esquema de corrupção do Distrito Federal, investigado pela Operação Caixa de Pandora, do qual é acusado de ser o comandante.

Pouco depois, os advogados de defesa protocolaram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) novo pedido de habeas corpus para libertação de Arruda, no qual justificam os motivos que o levaram a ficar calado.

Desencadeada em 27 de novembro passado, a operação desarticulou o esquema, que consistia na distribuição de propinas a parlamentares e membros do alto escalão do governo. O dinheiro, conforme revelou o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, réu colaborador do inquérito, seria arrecadado de empresários, sobretudo da área de informática, detentores de contratos superfaturados no governo.

Arruda está preso desde 11 de fevereiro, com outras cinco pessoas, acusado de obstrução da Justiça e tentativa de corrupção de testemunha do inquérito.

Por ordem do STJ, a PF começou ontem a ouvir os 42 citados por envolvimento no esquema, tarefa que deve estar concluída até quinta-feira. Além de Arruda, depuseram oito acusados, entre eles o ex-secretário de Comunicação Welligton Moraes, que está preso na Penitenciária da Papuda, e o ex-presidente da Câmara Distrital Leonardo Prudente (sem partido). Flagrado em vídeo pondo maços de cédulas nas meias, Prudente negou participação no esquema e alegou que o dinheiro era caixa 2.

Autos. O advogado Nélio Machado informou à Justiça que Arruda só vai falar quando tiver acesso a todos os documentos dos autos do Inquérito 650, que investiga o suposto esquema de corrupção. Ele alega na petição que cessaram as razões da prisão - o temor de que usasse o Poder para obstruir a Justiça - uma vez que abriu mão do direito de recorrer da cassação imposta pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para voltar ao cargo.

O depoimento de Arruda chegou a ser formalmente aberto pelo delegado Alfredo Junqueira, mas não durou mais de 15 minutos porque, instruído pelos advogados, o governador afastado alegou que não teve acesso aos autos, inclusive à perícia dos vídeos em que ele e aliados aparecem recebendo propina e desconhecia o teor das acusações. "Meu cliente só vai falar quando efetivamente tiver condições de se defender sem ser prejulgado. Nós não aceitamos condenações antecipadas", disse.

Principal testemunha do esquema, Durval Barbosa conseguiu, ontem, no Tribunal de Justiça do Distrito Federal habeas corpus para se manter calado na reunião da CPI da Corrupção da Câmara Legislativa marcada para ouvi-lo - direito que já era assegurado pela Constituição.

PARA LEMBRAR

O governador cassado do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), está preso desde o dia 11 de fevereiro na Polícia Federal, em Brasília, por tentativa de suborno a uma testemunha da Operação Caixa de Pandora. Ele é um dos investigados no suposto esquema de corrupção que ficou conhecido como "mensalão do DEM".

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