Intervenções viárias são as campeãs de atrasos

Reconversão urbana do Largo da Batata também está fora do prazo, assim como reforma na Ponte do Limão

, O Estadao de S.Paulo

30 Maio 2009 | 00h00

Além do Complexo Viário do Jaraguá, outras três obras viárias estão entre as mais atrasadas da cidade de São Paulo: a Ponte do Limão e os Viadutos do Café e Beneficência Portuguesa. É de 2004 o primeiro contrato para obras na Ponte do Limão, quando a estrutura foi abalada por um caminhão que passava pela Marginal do Tietê e ficou entalado. Foram realizados reparos emergenciais, mas os trabalhos acabaram paralisados por quatro anos e meio. As obras foram retomadas em fevereiro deste ano, com término previsto para junho. Na região do Largo da Batata, o atraso das obras prejudica principalmente os comerciantes. O movimento de pessoas - e, consequentemente, seus ganhos - caiu. O contrato foi assinado em dezembro de 2004 e o prazo para a conclusão era de 1 ano e 2 meses. A nova previsão é de que seja inaugurado ainda em 2009.Os lojistas reclamam que operários não concluem os trabalhos de forma organizada. "Eles já quebraram a minha entrada umas cinco vezes. Por que não fazem tudo de uma vez?", questiona o empresário Alexandre Della Corte. Sua loja de produtos de R$ 1,99 teve o acesso totalmente bloqueado na quinta-feira passada.Caso parecido vive Keiko Ota, dona de um comércio de autopeças. Ela afirma que seu estabelecimento registrou queda de 50% no faturamento nos últimos anos, pois as obras impedem que automóveis estacionem na garagem para trocar peças, como baterias e rodas. "Nesta semana nenhum carro entrou aqui. Eles falaram que essa etapa das obras iria durar 40 dias, mas o prazo se esgotou faz tempo", diz. Especialistas procurados pelo Estado para comentar a questão das obras atrasadas na capital avaliam que é enorme o prejuízo para a população. O urbanista Cândido Malta Campos Filho, da Universidade de São Paulo (USP), defende que obras urbanísticas, como a do Largo da Batata, deveriam ter prioridade. "Nosso urbanismo é muito precário", justifica. "Ao mesmo tempo que temos uma ânsia por locais de convivência coletiva e social, sentimos falta de arquitetos com esse tipo de cabeça, que pensem o espaço urbano, planejando boas calçadas e praças, por exemplo."Ao contrário das promessas de campanha de reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM), três Centros Educacionais Unificados (CEUs) ainda não estão completamente concluídos. São eles o Uirapuru, no bairro do Butantã, o Heliópolis - que está na segunda e última etapa de obras - e o Jaguaré. Este último é o mais atrasado. Seu contrato foi assinado em 2004, com previsão de término em 8 meses. Deve ficar pronto apenas no segundo semestre deste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.