Instagram/Debora Muniz/Reprodução
Instagram/Debora Muniz/Reprodução

Intoxicação por monóxido de carbono pode levar à morte em poucas horas; entenda

Família morreu no Chile, possivelmente por inalação de gás tóxico

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

24 de maio de 2019 | 03h00

A intoxicação por monóxido de carbono, principal hipótese para a morte de seis brasileiros no Chile nesta quarta-feira, 22, pode matar em poucas horas. O gás, que não tem cheiro, impede o oxigênio de chegar às células, “asfixiando” a vítima aos poucos. 

Nesta quarta-feira, quatro adultos e dois adolescentes de 13 e 14 anos que estavam de férias em Santiago, capital chilena, foram encontrados mortos em um apartamento alugado. Acionado, o Corpo de Bombeiros identificou alta concentração de monóxido de carbono no imóvel. 

A família começou a sentir-se mal e chegou a acionar parentes no Brasil que, por sua vez, avisaram ao consulado. Quando a polícia entrou no apartamento, porém, todos já estavam mortos. As autoridades agora investigam as causas das mortes, mas não está descartado o vazamento de gás.  

“O monóxido de carbono se liga à hemoglobina, que é a substância do sangue responsável por carregar o oxigênio para os tecidos. Nessa ligação, a hemoglobina perde a capacidade de transportar o oxigênio para os órgãos, que vão paralisando”, explica o médico pneumologista Igor Bastos Polonio.

Os primeiros sintomas são dor de cabeça, tontura e confusão mental. Mas o quadro evolui rapidamente para perda de consciência e coma. A pessoa também perde a força para se locomover. É a falta de oxigênio nos tecidos que deixa as vítimas arroxeadas e com articulações paralisadas.

A professora Débora Muniz Nascimento, de 38 anos, uma das vítimas da tragédia, chegou a enviar mensagem de áudio a uma irmã, pedindo socorro. Nas gravações, ela relata que o filho estava roxo e imóvel, que todos sentiam mal e vomitavam. Também dizia sentir as articulações paralisadas. 

“Mesmo que a pessoa ainda esteja consciente, ela fica fraca, não tem força para sair dali e pedir ajuda”, explica o médico toxicologista Sergio Graff. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.