Inundações deixam cerca de 300 mil sem aula no Amazonas

Férias devem ser canceladas e ano letivo deve ir até para o 2010; outra preocupação é perda de material

Liège Albuquerque, Agência Estado

11 de maio de 2009 | 18h38

Cerca de 300 mil estudantes das redes públicas estadual e municipal estão sem aula no interior do Amazonas por conta da cheia dos rios. Anamã, Barreirinha, Itacoatiara, Manaquiri, Parintins e Urucurituba são alguns dos municípios onde as aulas foram ou estão sendo paralisadas. Férias devem ser canceladas e o ano letivo deve ser estendido para o ano que vem. Outra grande preocupação dos prefeitos é a perda de material com a inundação das escolas.  

 

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"O que podemos guardar em prédios mais altos estamos providenciando, como móveis, computadores e materiais didáticos, mas o nível da água continua subindo", disse o prefeito de Manaquiri, Jair Souto. Ele disse que 1.100 alunos das escolas da área rural do município estão sem estudar desde meados de abril. "Se a previsão de subir mais um metro (do rio Negro) até o meio de junho se realizar, será o caos", disse. Das 12 escolas municipais sem aulas, quatro estão servindo de abrigo, já que as outras oito estão com assoalhos e metade das paredes embaixo d''água. O município fica a 65 quilômetros de Manaus e foi um dos mais atingidos pela seca de 2005.

De acordo com o vice-prefeito de Anamã, Antônio Araújo Coelho, há 4.123 crianças e adolescentes fora da escola, cinco estaduais e 18 municipais. "E o pior é que as escolas, que no início da cheia viraram abrigos, agora também estão com os assoalhos inundados", disse. Os desabrigados que estavam nas escolas agora estão sendo transferidos para alojamentos em flutuantes, segundo ele. "Os materiais que estamos conseguindo salvar das escolas estão em depósitos da prefeitura, mas não é muita coisa. As mesas dos professores e cadeiras dos alunos certamente vão apodrecer debaixo d'água".

Em Parintins, a 369 quilômetros de Manaus, 18.800 estudantes da rede estadual de ensino tiveram suas aulas paralisadas nesta segunda-feira, 11, segundo a assessoria da Secretaria de Educação do Estado (Seduc). Outras cerca de 5 mil crianças, que fazem o ensino fundamental, estão sem aulas desde a semana passada.

Segundo a Seduc, o ano letivo já está comprometido em vários municípios do interior por conta da cheia dos rios. Ainda segundo a secretaria, a medida de paralisar as aulas não tem sido, na maioria dos casos, para as escolas servirem de abrigos, já que estas também estão alagadas, mas sim para evitar qualquer situação de risco aos alunos porque os caminhos até os prédios estão alagados.

 

Ceará

 

No Ceará, as chuvas já castigaram 75 cidades. O balanço divulgado pela Defesa Civil na tarde desta segunda-feira, 11, traz três novos municípios: Brejo Santo, General Sampaio e Tejuçuoca. Ao todo, 23 decretaram situação de emergência, em razão dos temporais.

 

O total de pessoas desalojadas (aquelas que precisaram ir para a casa de parentes) passou de 26.727 para 27.210. O de desabrigados (quem depende de abrigos públicos) chegou a 17.391, 286 a mais em relação ao balanço de sexta, 8. O número de mortos e o de feridos mantém-se estável, em 12 e 145, respectivamente. O saldo de casas danificadas aumentou para 7.238 e o de destruídas, para 848.

 

Bahia

 

Depois de nove dias seguidos de chuva, Salvador registrou, nesta segunda-feira, clima ensolarado e calor. Apesar disso, os efeitos da chuva ainda são visíveis por toda a cidade e a água acumulada no solo continua fazendo estragos.

 

Mais 16 casas desabaram na cidade hoje - quatro delas em Paripe, na mesma região onde, entre sábado e domingo, cerca de 50 imóveis ficaram total ou parcialmente destruídos por causa da movimentação de uma placa de terra de 600 mil metros quadrados. No local, imensas rachaduras no solo de massapê (que absorve a água da chuva e incha) dão a dimensão do problema e interditam a passagem de veículos. Uma antena de transmissão, de 60 metros de altura, ameaça desabar na região.

 

De acordo com a Coordenadoria da Defesa Civil de Salvador (Codesal), outras 21 residências terão de ser demolidas na localidade e há cerca de cem ainda em risco. O fornecimento de água e energia elétrica foi interrompida no bairro desde sábado, pela destruição dos postes e das tubulações de água e esgoto.

 

"O importante é que as pessoas que moram nessas casas deixem suas residências o quanto antes, atendendo a solicitação dos agentes da Codesal", diz o secretário municipal de Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão , Antônio Brito. O medo de perder o patrimônio, já que saques vem ocorrendo nos imóveis abandonados na cidade, é o maior argumento de quem insiste em ficar.

 

De acordo com Brito, são 491 famílias oficialmente consideradas desabrigadas na cidade. Mais de 80% delas estaria abrigada em casas de familiares e vizinhos. O restante está sendo encaminhado a um abrigo disponibilizado pela Prefeitura, com capacidade para 120 famílias. "Estamos negociando com escolas e outros espaços para dar mais opções aos cidadãos que precisarem", conta Brito.

 

Além disso, todas as principais vias da cidade apresentam problemas, como buracos e acúmulo de terra proveniente de encostas, travando o trânsito na capital baiana. Na Avenida Paralela, a mais movimentada da cidade, que liga a rodoviária ao aeroporto, por exemplo, um trecho de asfalto do corredor exclusivo para ônibus, sentido aeroporto, cedeu por causa do estouro de uma tubulação. Na Avenida Antonio Carlos Magalhães, que atravessa o centro financeiro da cidade, duas faixas da pista foram interditadas para a remoção de terra e para a realização de obras de contenção de encostas.

 

Na Avenida Ogunjá, desde sexta-feira uma das pistas está interditada, porque a terra de uma encosta não para de cair sobre o asfalto. Na Avenida San Martin, populares colocaram um sofá dentro de um grande buraco, de dois metros de diâmetro, para sinalizar o perigo aos motoristas. De dentro de um veículo, só é possível ver um pedaço da parte de cima do móvel. Na Avenida Dorival Caymmi, em Itapuã, parte do asfalto cedeu no início da tarde desta segunda-feira, 11. Um carro chegou a cair no buraco, mas não houve vítimas.

 

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), até quarta-feira, pelo menos, deve voltar a chover em Salvador e região metropolitana, com períodos de melhoria. Em alguns pontos da cidade, choveu, do início do mês até agora, segundo a Codesal, mais de 400 mm, enquanto a média nos últimos 30 anos na cidade é de 349,5 mm em maio - o mês mais chuvoso da capital baiana, na média.

 

Emergências

 

Os bairros localizados no Subúrbio Ferroviário de Salvador, como Paripe, Plataforma e Periperi foram os mais atingidos pelas chuvas intensas que atingiram o município na última semana. São desses locais o maior número de pedidos de emergências dirigidos à Defesa Civil do município, que chegaram a 256 solicitações nesta segunda-feira, 11. Segundo o órgão, os casos mais preocupantes foram os de deslizamento de terras, que somaram 109 em toda a cidade, os de desabamento de imóveis, que foram 18, e os 23 alagamentos de grande áreas.

 

(Com Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo e Central de Notícias)

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