Invadiram apartamentos e foram presos

Um advogado e três policiais militares de Brasília foram detidos nesta quarta-feira na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, depois de terem invadido três apartamentos no Edifício Mar de Prata.Eles arrombaram as portas, trocaram as fechaduras e disseram que só devolveriam as chaves quando supostas dívidas fossem quitadas.O Mar de Prata foi construído pelo Grupo OK, cujo dono é o ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), mas as obras não foram concluídas, o que ocasionou uma briga judicial entre o grupo e os compradores do imóvel.Moradores acusam a empresa de vender os apartamentos mais de uma vez, mesmo estando ocupados.Os bens do grupo empresarial estão indisponíveis na Justiça.Um dos policiais detidos, identificado como Barcelos, admitiu prestar serviços de segurança para o Grupo OK e para Estevão, que teve seu mandato cassado no ano passado e esteve preso por possível envolvimento no desvio de R$ 169 milhões destinados à construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.O juiz Nicolau dos Santos Neto foi preso pelo mesmo motivo."Eles disseram que não iam me deixar entrar porque sabem que eu tenho uma ação contra o Grupo OK. O que a empresa quer é revender os imóveis. Já fizeram isso com alguns", acusou Rosa Maria Macarrone.Ela disse ainda que os invasores agrediram verbalmente os moradores e possuíam uma lista com os nomes dos proprietários. Devido à disputa judicial, muitos não estão pagando suas prestações diretamente à empresa, depositando os valores na Justiça.Barcelos, que liderava o grupo, estava armado com uma pistola Taurus 380 e ameaçou moradores. Na delegacia, os quatro homens disseram cumprir ordens de um diretor brasiliense do Grupo OK, chamado Marcos Cordeiro, e que tinham vindo "resolver problemas de segurança do condomínio".Os quatro homens, cujos nomes não foram divulgados até o início desta noite, chegaram ao local em um Santana azul, placa JEK 1167, de Brasília, que também pertenceria ao grupo empresarial de Estevão.Os invasores foram conduzidos à 16ª Delegacia Policial por PMs acionados pelos moradores do Edifício Mar de Prata.De acordo com o delegado Antônio Ricardo, os quatro foram autuados por exercício arbitrário e invasão de domicílio. O policial militar que estava armado responderá ainda por ameaça e porte ilegal de arma, já que não estava em missão oficial e não há convênio entre as polícias do Rio e de Brasília.Depois de prestarem depoimento, os acusados foram liberados. Eles assinaram um termo de compromisso, segundo o qual devem comparecer perante o Juizado Especial Criminal do Rio, em data a ser marcada.Cópias dos registros de ocorrência serão enviadas para autoridades do Distrito Federal. Os invasores não estão impedidos de deixar o Estado do Rio.

Agencia Estado,

04 de abril de 2001 | 22h08

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