Invasão fracassada de Cuba fortaleceu a relação

BRASÍLIA

Wilson Tosta, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2011 | 00h00

Duas semanas após o fracasso da invasão da Baía dos Porcos por grupos anticastristas, o governo brasileiro transmitiu, em 3 de maio de 1961, por sua Embaixada em Havana, mensagem de solidariedade ao presidente cubano, Oswaldo Dorticós. O presidente ratificava "propósito várias vezes manifestado pelo Brasil de ver respeitado neste continente o princípio autodeterminação dos povos e a efetiva soberania de todas as nações. (...) Receba V. Exa. expressões meu respeito. Jânio Quadros, presidente."

No dia seguinte, o encarregado de Negócios do Brasil em Cuba, Carlos Jacyntho de Barros, relatou ter traduzido imediatamente a mensagem ao chanceler cubano, que identifica apenas como Olivares: "Este não escondeu sua satisfação e disse-me confidencialmente que transmitiria o texto imediatamente (a Dorticós e a Fidel Castro). Segundo o representante brasileiro, o ministro de Cuba discorreu sobre a disposição de seu governo de entabular quantas discussões fossem necessárias com os EUA e sobre a posição brasileira favorável à solução pacífica para a questão.

Outras comunicações entre o Itamaraty e a Embaixada em Cuba deixam clara a proximidade dos dois governos. Em 3 de abril de 1961, Barros transmitiu mensagem do embaixador Vasco Leitão da Cunha, que dizia ter conversado "durante uma hora e meia com Fidel Castro, que agradeceu o ardente interesse manifestado (por Jânio e o chanceler Arinos) no tocante às relações cubano-americanas (...)".

Em outras mensagens, o encarregado relatou um encontro com Che, na Embaixada brasileira, no qual o guerrilheiro "se manifestou, de modo elogioso, sobre a política internacional do governo brasileiro, qualificando-a de independente e audaz". Segundo o professor Paulo Vizentini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o Brasil, desde o governo de JK. tentava demonstrar aos EUA alguma independência, para levar os americanos a investir no País.

O próprio Fidel Castro protestou, em entrevista, contra a saída de Jânio do poder. Segundo telegrama da Embaixada do Brasil de 1.º de setembro de 1961, "(Fidel) caracterizou a atual crise como consequência da ingerência do imperialismo norte-americano nos assuntos internos do Brasil. Esta política provocou a renúncia do presidente Jânio Quadros e trata agora de impedir a posse do vice-presidente João Goulart (...)"

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