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Invasores de prédio na Barra (RJ) fazem carteirinha

As famílias que ocupam desde a madrugada de sábado o edifício Abraham Lincoln, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, já se apossaram dos apartamentos e mandaram fazer até carteirinhas com o nome e o número da unidade de cada um e um carimbo. O "documento", segundo os invasores, serve para identificar os "moradores"."A gente quer terminar a obra que a construtora começou. Ninguém quer tomar nada de ninguém", disse Marcela Neves, de 28 anos, que, atrás do sonho da casa própria, foi para o prédio com a mãe, o irmão e outros parentes.Segundo ela, há cerca de 300 pessoas no prédio e todas moram de aluguel. A Polícia Militar calcula em menos de 100. PMs estão na porta do condomínio para evitar a entrada na construção, que está inacabada. Nas grades, a construtora Desenvolvimento Engenharia Ltda mandou instalar correntes e cadeados.As pessoas que saíram de lá de manhã, para trabalhar, e retornariam no fim da tarde, não poderiam voltar, segundo a PM. O grupo garante que irá embora pacificamente se sair uma ordem judicial favorável à construtora.Funcionários informaram que a empresa entrou na Justiça requerendo reintegração de posse no próprio sábado. Até o fim desta tarde, nenhuma decisão foi divulgada pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça.Um segurança que se identificou como Jair contou que muitas pessoas já foram embora por causa das más condições das acomodações - não há eletricidade e a água só chega aos primeiros andares. "Muitas pessoas se sentiram enganadas porque chegaram achando que seria muito melhor", disse.Alguns proprietários que estiveram no prédio no domingo para ter informações sobre a invasão haviam marcado uma visita conjunta à construtora, mas apenas três estiveram na empresa, no centro do Rio. "O que dificulta uma ação conjunta nossa nesse caso é o fato de não nos conhecermos", disse a assessora financeira Augusta Helena Shaban, de 43 anos, que pensa em organizar os proprietários em uma associação nos moldes da dos ex-moradores do Palace II, também na Barra, que desabou em 1998.Ela comprou um apartamento da torre em 1989, pelo qual calcula já ter pago cerca de R$ 60 mil. "Parei de pagar em 1995 porque as obras já estavam paradas. Tinha esperanças de que as obras iriam terminar um dia, afinal é um patrimônio que já está lá. Nunca imaginei ver o prédio ocupado".Augusta ouviu dos funcionários da construtora, que não quiseram dar entrevistas, que a empresa tem intenção de retomar as obras, provavelmente em novembro. Ainda de acordo com os funcionários, o presidente da Desenvolvimento Engenharia, Múcio Athayde, não estava no escritório nesta segunda-feira.A comerciante Simone Cecílio, de 35 anos, acredita que muitos proprietários têm os imóveis como investimento e por isso ainda não se interessaram em pressionar a construtora. "Vi (a invasão) no jornal e fui correndo, imaginando que eram os donos que estavam invadindo, como foi feito em outro prédio ali perto. Também ia entrar", disse Simone, que comprou uma unidade em 1996. Para Simone, a invasão pode ajudar a chamar a atenção para a obra inacabada.

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