Investigação apura versão para morte de pró-reitora da UFMT

Sorahia Miranda de Lima chegou a desabafar que recebia ameaças de morte

Eduardo Nunomura, especial para o Estado de S.Paulo

29 Novembro 2007 | 20h46

A fotografia é de latrocínio, mas as investigações sobre a morte de três funcionários da Universidade Federal do Mato Grosso, em Rondonópolis, se voltam mais para o crime de mando. Ontem, uma nova hipótese veio à tona nos dois inquéritos abertos sobre o caso: ameaças de morte que a pró-reitora Sorahia Miranda de Lima vinha recebendo por apurar irregularidades administrativas no campus da UFMT. Ela chegou a desabafar o problema para representantes dos estudantes em greve duas semanas atrás. "Ela disse que estava com medo, que já sofrera um atentado e tentaram invadir a sala dela", afirmou o estudante Rodrigo Leandro, do Diretório Central dos Estudantes. O atentado seria o afrouxamento dos pneus do carro dela, durante uma das freqüentes viagens que fazia a Cuiabá. Foi percebido a tempo, segundo relato ouvido por outros alunos da própria pró-reitora. "Estamos perplexos e indignados e por isso exigimos que o caso não caia na impunidade, como é comum por aqui." Ontem pela manhã, centenas de estudantes da UFMT, muitos vestidos de preto, saíram pelas ruas do centro de Rondonólis com faixas de protesto. Além da pró-reitora, foram vítimas o prefeito do campus, Luiz Mauro Russo, e o professor Alessandro Luiz Fraga. Os três estavam voltando de Cuiabá, onde Sorahia tinha ido resolver pendências administrativas na reitoria da universidade. Segundo as primeiras apurações, o homem encapuzado que realizou entre cinco e seis disparos teria anunciado um assalto. Mas, segundo a Polícia Civil, seria muita coincidência um ladrão estar esperando vítimas bem diante da casa da pró-reitora, no bairro de Colina Verde, na hora exata em que chegavam de viagem. O criminoso levou as carteiras e a bolsa das vítimas, mas tanto a Polícia Civil quanto a Federal suspeitam que documentos da universidade também possam ter sido levados. Levar os pertences serviria para despistar as investigações. Uma outra hipótese, a de que a pró-reitora estava empenhada em obter para a Federal um terreno que havia sido seqüestrado pela Justiça por pertencer ao Primeiro Comando da Capital, fruto de dinheiro do roubo do Banco Central de Fortaleza, também é investigada. A intenção da pró-reitora era pouco conhecida até pelos próprios colegas da universidade, incluindo diretores, professores, funcionários e estudantes. Só na última reunião do Conselho de Administração da Reitoria é que ela falou do seu esforço em fazer da propriedade uma fazenda experimental para o curso de zootecnia. A Polícia Civil já ouviu mais de 12 testemunhas, cujo depoimento se estendeu até a madrugada de ontem. Nenhuma hipótese foi descartada, inclusive de crime passional. A última relação afetiva de Sorahia teria sido conturbada.

Mais conteúdo sobre:
UFMTreitorainvestigação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.