Investigação contra Bruno não deve descartar premeditação, diz advogado

'O fato de não encontrar o cadáver pode ser parte do plano em geral', disse Jader Marques, advogado do pai de Eliza

Eduardo Kattah - O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2010 | 19h26

BELO HORIZONTE - O advogado Jader Marques, que representa o arquiteto Carlos Samudio, pai de Eliza Samudio, disse nesta sexta-feira, 2, que a investigação sobre o sumiço da jovem não deve descartar a hipótese de crime premeditado. O goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, é o principal suspeito no inquérito que apura o desaparecimento de Eliza, com quem teria um filho de 4 meses, fruto de uma relação extraconjugal. Bruno nega envolvimento no caso.

 

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A polícia trabalha com a hipótese de que a jovem de 25 anos tenha sido assassinada, mas ainda busca provas do suposto crime. O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação, disse que Bruno poderá ser convocado em breve para prestar depoimento. "Este momento está próximo."

 

"Um dos caminhos que pode ser levantado é esse (de crime premeditado). Como já era uma situação esperada por ele (Bruno) e planejada, o fato de não encontrar o cadáver pode ser parte do plano em geral", afirmou Marques, que possui escritório em Porto Alegre e no domingo deverá embarcar para Belo Horizonte para tomar ciência dos depoimentos colhidos até o momento. Cerca de 25 pessoas já foram ouvidas.

 

O pai de Eliza, por meio do advogado, oferece uma recompensa de R$ 5 mil a quem apresentar informações que contribuam com a investigação. O próprio Marques, porém, não tem certeza da eficácia da medida. "A gente tem de tentar movimentar a turma aí. Dizem que tem gente aí capaz de dar essa ajuda e não está querendo se meter." Desde a divulgação do caso na mídia, pelo menos 42 ligações consideradas relevantes foram recebidas pelo serviço disque-denúncia (telefone 181) da polícia mineira.

 

Os delegados responsáveis pelo inquérito tentam preservar as investigações, mantendo informações sob sigilo. As ligações feitas por Eliza no período investigado, entre os dias 4 e 10 de junho, estão sendo mapeadas e confrontadas com depoimentos prestados pelos suspeitos e testemunhas. A Justiça mantém sob segredo informações sobre o pedido de quebra de sigilo telefônico em relação a Bruno e outros suspeitos. Entre os investigados está um suposto traficante de Ribeirão das Neves, na região metropolitana da capital mineira. Conforme versão de uma testemunha, ele teria recebido R$ 70 mil para desaparecer com o corpo da jovem.

 

A assessoria de imprensa da Polícia Civil desmentiu nesta sexta-feira, 2, a informação de que o administrador do sítio do goleiro do Flamengo tenha confirmado a presença de Eliza na propriedade do jogador, localizada no condomínio Turmalina, em Esmeraldas, também na região metropolitana de Belo Horizonte. Elenilson Vitor da Silva prestou depoimento que avançou pela madrugada desta quinta-feira,1. No dia anterior ele havia registrado queixa de um furto no sítio. No primeiro depoimento que concedeu, Elenilson, a exemplo de outros empregados ou pessoas próximas a Bruno, afirmou que não tinha visto Eliza no local.

 

Oficialmente, a polícia informa que as evidências de que a jovem esteve no local foram colhidas na perícia realizada no imóvel e com base no depoimento de uma testemunha - que supostamente trabalha em residência vizinha ao sítio - que afirmou ter visto Eliza na área da piscina do sítio junto com Bruno e outros dois amigos.

 

Perícia

 

Além disso, o Instituto de Criminalística confirmou a presença de sangue na caminhonete Range Rover do goleiro. O próximo passo é saber se o sangue é mesmo humano. Neste caso, um exame de DNA poderá confirmar se seriam da ex-amante do goleiro.

 

Conforme depoimentos, o goleiro esteve em seu sítio do dia 6 ao dia 10 do mês passado. Bruno alega que não vê Eliza há cerca de dois meses. A jovem cobrava dele na Justiça o reconhecimento da paternidade do filho.

 

Outro carro de Bruno, um veículo New Beetle, que estava no Rio de Janeiro, também deverá ser periciado. O veículo teria sido utilizado por Luiz Henrique Ferreira Romão, mais conhecido como Macarrão, espécie de braço-direito do goleiro e um dos principais suspeitos. Macarrão foi apontado pelo próprio Bruno como o responsável por levar o levar o bebê para o sítio, no dia 7 de junho. A polícia tem evidências que depois de o sumiço de Eliza vir à tona, Macarrão teria ordenado que a criança fosse escondida. O bebê foi localizado por policiais em uma casa no bairro Liberdade, em Contagem. Na ocasião, a mulher do goleiro, Dayane Souza, de 23 anos, foi presa em flagrante por subtração de incapaz. Ela responde em liberdade.

 

"As maiores evidências partem das contradições apresentadas pelo próprio suspeito", avaliou Marques, advogado do pai de Eliza.

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