Investigação de AF447 não levanta temores sobre Airbus

Leituras preliminares dos dados das caixas-pretas do avião Airbus que caiu no oceano Atlântico durante voo Rio-Paris amenizaram preocupações imediatas sobre a segurança da aeronave A330, mas investigadores alertaram nesta terça-feira contra a precipitação em culpar a tripulação pelo desastre de 2009.

TIM HE, REUTERS

17 de maio de 2011 | 10h39

Investigadores franceses analisam os dados e as gravações do cockpit da aeronave contidos nas duas caixas-pretas retiradas do fundo do mar dois anos após o acidente. Eles trabalham sob pressão para resolver o mistério que envolve a queda aeronave da Air France, em 31 de maio de 2009, que matou todas as 228 pessoas a bordo.

Em comunicado, o BEA, escritório que investiga acidentes aéreos na França, reiterou que ainda é muito cedo para se tirar quaisquer conclusões sobre as causas do dramático desaparecimento da aeronave, que fazia o voo 447, em meio a uma tempestade.

Mas o órgão disse que a recuperação bem sucedida das caixas-pretas "nos deixa praticamente certos hoje de que toda luz será jogada sobre este acidente".

Os dois dispositivos, que contêm pistas vitais sobre a tragédia, foram recuperados neste mês e chegaram a Paris na quinta-feira. O BEA informou na segunda-feira que todos os dados estão intactos.

Na primeira indicação tangível da direção que as investigações estão tomando, a Airbus informou companhias aéreas nesta terça-feira que não tem novas recomendações de segurança como resultado do primeiro exame dos dados da aeronave, disse uma fonte familiarizada com a situação.

Embora ainda não tenha sido divulgada para o público, a mensagem enviada para todo o setor é vista como importante, pois só pode ser emitida com a autorização dos investigadores oficiais.

A detecção de qualquer defeito levaria automaticamente a algum tipo de recomendação para evitar por em risco a segurança dos passageiros dos cerca de 1.000 A330s em serviço ao redor do mundo.

"Nessa fase de análise preliminar do gravador digital dos dados de voo (DFDR, na sigla em inglês), a Airbus não tem recomendações imediatas para as operadoras", disse a fabricante europeia em um comunicado ao setor obtido pela Reuters.

O boletim não descarta a possibilidade de emitir recomendações no futuro.

A Airbus se recusou a comentar.

NOTÍCIA REJEITADA

Aviões de passageiros levam dois dispositivos para ajudar os especialistas no evento de um acidente --um gravador de dados que rastreia sistemas e mudanças no comportamento da aeronave, e um outro que guarda as conversas realizadas dentro do cockpit, neste caso englobando as duas últimas horas antes do acidente.

O BEA afirma que a análise desses dados levará algumas semanas.

As equipes de investigação ainda têm de sincronizar as leituras do gravador de dados com as do cockpit, um processo crucial e demorado.

O BEA reagiu com irritação a uma reportagem de um jornal francês apontando diretamente a Air France ou sua tripulação como culpados pela tragédia. O escritório de investigação classificou a notícia como "sensacionalista" e prematura.

Citando fontes do governo francês e pessoas próximas à investigação, o Le Figaro informou que especialistas identificaram erros da tripulação, mas não determinou se esses erros resultaram em decisões da equipe a bordo ou a procedimentos da Air France.

Representantes de algumas das famílias das vítimas questionaram por que o jato da Air France, um dos vários a voar do Brasil para a Europa, entrou numa tempestade equatorial enquanto outros aviões escolheram uma outra rota.

Autoridade meteorológicas afirmaram pouco depois da tragédia que dois aviões da Lufthansa passaram pela mesma área da aeronave da Air France por volta do mesmo horário, sem qualquer incidente. Tempestades são comuns no local onde as rotas aéreas cruzam a linha do Equador.

O resultado da investigação tem implicações legais potenciais tanto para a fabricante da aeronave quando para a companhia aérea.

Mas os investigadores repetidamente alertaram contra tentativas de deduzir demais baseado em pedaços individuais de informação, incluindo leituras inconsistentes dos sensores de velocidade da aeronave, hipótese que dominou os estágios iniciais da investigação.

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