Investigação do acidente se aproxima do objetivo, diz França

Resultados das autópsias feitas no Brasil ainda não chegaram ao escritório de investigação, acrescenta diretor

Efe,

17 de junho de 2009 | 08h27

A investigação do acidente da Air France "está se aproximando do objetivo" de encontrar as causas da catástrofe, afirmou o diretor do Escritório de Pesquisa e Análise Francês (BEA), Paul-Louis Arslanian, nesta quarta-feira, 17. Ele destacou, contudo, que os investigadores franceses não têm novas pistas sobre as causas do acidente há duas semanas.

 

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"Não digo que será um trabalho fácil, mas nos esforçamos ao máximo", assegurou. Arslanian disse que mais informações podem estar disponíveis nos próximos dias, mas pediu "muita paciência" ao público enquanto a busca por corpos e destroços continua em alto-mar. O diretor acrescentou que o BEA ainda não tem os resultados das autópsias realizadas no Brasil dos corpos recuperados no mar.

 

Segundo Arslanian, os dados transmitidos pelo avião antes da queda indicavam uma leitura pouco confiável da velocidade por parte dos sensores da aeronave, mas ainda não é possível concluir se isso contribuiu para o acidente.

 

Prioriade é encontrar caixas pretas

 

Encontrar as caixas pretas, segundo o BEA, é um elemento chave para conhecer as razões da queda do avião. Mas o diretor do escritório alertou que o trabalho não será fácil, pois o pulso sonoro emitido por elas é equivalente ao ruído de um martelo batendo no solo.

 

Dois barcos franceses estão na região, equipados com potentes hidrofones emprestados pelo Pentágono, que podem ser submersos até seis quilômetros de profundidade para evitar distorções acústicas da superfície. A eles se somam os radares do submarino nuclear francês "Emeurade".

 

As buscam estão restritas a uma zona com 80 quilômetros de raio, escolhida a partir da localização dos destroços. Essa área, equivalente a metade da Bélgica, é repleta de cordilheiras submarinas e as caixas pretas poderiam estar a grandes profundidades ou próximas à superfície, caso tenham caído em cima de uma dessas montanhas.

 

Queda de "barriga" no oceano

 

As características e a extensão das lesões encontradas nos corpos de 43 das 49 vítimas do voo 447 da Air France já periciadas em Fernando de Noronha sugerem que ao menos parte do Airbus A330 caiu de "barriga" no mar.

 

Peritos ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo dizem que, até agora, praticamente 95% dos cadáveres apresentavam fraturas no terço medial das pernas, nos braços e na região do quadril - semelhantes aos verificados em pessoas que caem de grande altura. Na avaliação de legistas, esse é um indício de que alguns passageiros estariam sentados em suas poltronas no momento da queda. Outro sinal é a baixa incidência de traumatismo craniano.

 

Se o avião tivesse caído de bico, dizem peritos, era de se supor que as vítimas apresentassem ferimentos mais severos na cabeça - sobretudo as que estavam sem o cinto. Também foram detectadas petéquias (lesão de cor avermelhada) nas mucosas de grande parte dos cadáveres. Embora estejam associadas à morte por asfixia, elas podem surgir em outras situações, como politraumatismo.

 

Airbus se manifesta

 

A decisão de não especular sobre as causas do acidente é a razão do silêncio da fabricante da aeronave, explicou nesta terça-feira, 16, o presidente da Airbus, Thomas Enders, durante entrevista coletiva no 48.º Salão da Aeronáutica e do Espaço Paris Le Bourget. "Não estamos alimentando especulações sobre as razões do acidente. Estamos apoiando os investigadores e certos de que as razões serão encontradas tão logo as caixas-pretas forem localizadas", afirmou.

"Isso (a postura da empresa) é o padrão quando acontecem acidentes. Os responsáveis pela investigação não são da Airbus, são do BEA (órgão francês de investigação)", disse Enders. "Ainda é muito cedo, não existe possibilidade de saber por que o Air France 447 caiu". 

 

Em relação à recomendação, feita pela Airbus, para que as companhias efetuassem a troca dos antigos sensores de velocidade pitots, o diretor comercial da Airbus, John Leahy, apressou-se em alertar que a atualização das peças das aeronaves faz parte do cotidiano dos fabricantes. "Lembre-se que, a cada minuto, um A-330 decola, 24 horas por dia e sete dias por semana", ressaltou.

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