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Investigação fica com perito que suspendeu Concorde

Alain Bouillard, que chefiará as investigações do acidente com o A330 da Air France, foi um dos responsáveis por suspender a licença de voo do Concorde em 2000. Ele estava na equipe cujo trabalho segurou no solo por mais de um ano toda a frota do jato até que fossem resolvidos os problemas do avião que contribuíram para um acidente na França, matando 113 pessoas em 25 de julho de 2000.O anúncio de seu nome para chefiar a equipe que tentará estabelecer o que ajudou a derrubar o voo 447 da Air France na rota Rio-Paris foi feito ontem. Em 2000, Bouillard descobriu que uma peça metálica que havia se desprendido de um DC-10 no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, havia rasgado um dos pneus do Concorde da Air France que decolava rumo ao Aeroporto JFK, em Nova York, nos Estados Unidos.Pedaços da borracha do pneu atingiram o tanque de combustível do jato, provocando o incêndio que inutilizou as turbinas do avião e causou sua queda. Vinte dias depois do acidente, Bouilllard propôs uma medida radical: a suspensão da licença de voo do Concorde. No mesmo dia em que seu relatório parcial ficou pronto, os governos francês e inglês suspenderam a licença do jato, que era operado pela Air France e pela British Airways.Toda a frota do jato supersônico ficou em solo até que novos testes realizados no ano seguinte permitiram concluir que era possível o Concorde voar com segurança. O jato só voltou a entrar em operação no dia 7 de novembro de 2001 - dois anos depois, o Concorde deixaria de voar definitivamente, aposentado pelas duas empresas por razões comerciais."O trabalho é intenso de coleta de informações", disse o diretor do Escritório de Investigação e Análises de Acidentes Aéreos na França (BEA, na sigla em francês) e maior autoridade europeia no assunto, Paul-Louis Arslanian, chefe de Bouillard. "Uma etapa extremamente importante é a localização e, se possível, a recuperação das caixas-pretas. Mas não podemos contar com elas, uma vez que, até onde se sabe, o acidente aconteceu no meio do oceano." Por isso, a equipe trabalha com a hipótese de jamais encontrar explicações para o acidente. Ele anunciou que o BEA já vinha investigando as causas do acidente com o Airbus A330 desde segunda-feira. Segundo Arslanian, 50 pessoas participam das investigações: 30 peritos da Airbus e da Air France e 20 pessoas do escritório, divididas em quatro equipes: a primeira, de pesquisas em alto-mar, será encarregada de analisar os destroços e efetuar as buscas da caixa-preta; a segunda equipe está encarregada de investigar as condições de manutenção e o histórico do avião; o terceiro grupo apura as condições de uso do avião; e a quarta equipe se dedica aos sistemas e equipamentos do aparelho, além das comunicações por rádio e da análise do radares. Arslanian ressaltou que "por enquanto tudo o que vem sendo dito é mera suposição". Além disso, o diretor não descartou nenhuma hipótese, incluindo as condições meteorológicas e uma eventual despressurização da cabine, por motivos desconhecidos.

Andrei Netto, De Paris, E Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

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