Investigação liga lobista a governador de TO

Nome de Carlos Gaguim (PMDB), candidato à reeleição com apoio de Lula, é citado em apuração do Ministério Público sobre fraudes a licitações

Fausto Macedo e Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2010 | 00h00

O Ministério Público de São Paulo encaminha hoje ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) documentos sobre organização criminosa envolvida em esquema de fraudes a licitações de 11 prefeituras. Trechos da investigação citam o governador de Tocantins, Carlos Gaguim (PMDB).

Gaguim é candidato à reeleição pela coligação Força do Povo, com apoio do presidente Lula. Dilma Rousseff (PT), que disputa a sucessão de Lula, gravou programa de TV com manifestações por Gaguim.

Oficialmente, Gaguim não é alvo da apuração e nem é acusado - governador detém foro privilegiado no STJ - mas seu nome é mencionado nos autos do Núcleo Campinas do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que, em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil, prendeu oito suspeitos.

O alvo principal da força tarefa é o lobista Maurício Manduca, amigo de Gaguim e sócio de um cunhado do governador, o empresário Duda Rodrigues, em uma boate que será inaugurada no Shopping Capim Dourado, em Palmas. Duda é irmão da primeira-dama Rose Amorim.

Entre 15 e 27 de abril, Manduca integrou comitiva de Gaguim em missão oficial à China e aos Estados Unidos. A promotoria apurou que o lobista e o empresário José Carlos Cepera, suspeito de compor a cúpula da organização criminosa, mantêm negócios com a gestão do peemedebista. Cepera e Manduca estão presos.

A investigação foi feita por meio da quebra dos sigilos fiscal e bancário e da interceptação telefônica e de correspondências eletrônicas autorizadas pelo juiz Nelson Augusto Bernardes, da 3ª Vara Criminal de Campinas.

"Durante o monitoramento telefônico e telemático houve menção a inúmeros agentes políticos e servidores públicos de vários municípios e Estados, incluindo prefeitos, secretários, deputados, um governador e um procurador geral do Estado", assinala a promotoria.

São investigadas 6 empresas: Lotus Serviços Técnicos, Pluriserv Serviços Técnicos, Infratec Segurança e Vigilância, São Paulo Serviços, Pro-Saneamento Ambiental e O.O. Lima Empresa Limpadora. Contratos apontam prejuízo de R$ 615,7 milhões.

A Secretaria de Comunicação do Tocantins informou que Gaguim "desconhece as denúncias e não há qualquer possibilidade de seu nome estar envolvido no suposto esquema". "O governador é um gestor que recebe em audiências, costumeiramente, diversos empresários, do País e do mundo, interessados em investir no Tocantins, dadas as potencialidades e a política de incentivos fiscais que o governo oferece aos investidores", diz nota da assessoria.

"Não há negócio ilícito, de qualquer natureza, entre o governo e os citados", diz a assessoria. "Por se tratar de um ano eleitoral, o governo do Estado vê nas denúncias a tentativa de seus adversários políticos de denegrir a imagem do governador, principalmente porque ele lidera todas as pesquisas de intenções de voto e tem realizado uma campanha limpa, transparente e em obediência à legislação eleitoral."

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