Investigação sobre morte de juíza no Rio caminha para crime encomendado

Integrantes de grupos de extermínio e milicianos de São Gonçalo estariam envolvidos no crime

Pedro Dantas, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2011 | 13h50

RIO - As investigações sobre o assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, executada com 21 tiros na porta de sua casa, em Niterói, na noite de quinta-feira, convergem para um crime encomendado por integrantes de grupos de extermínio e de milicianos que atuam de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio.

 

Titular da 4ª Vara Criminal do município, a magistrada, de 47 anos, ganhou notoriedade pelas condenações rigorosas. Ontem, ao chegar à Delegacia de Homicídios, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, desembargador Nelson Calandra, deixou escapar que a polícia estaria trabalhando com a possibilidade de serem 12 os envolvidos no assassinato.

 

"Dos 12 que praticaram o atentado que vitimou a nossa colega, muitos devem ter condenações anteriores, que ficam transitando em quatro instâncias e só são cumpridas quando o Supremo Tribunal Federal determina", relatou. Calandra reuniu-se, na sede da DH, com a chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, e com o diretor da unidade, Felipe Ettore.

 

À saída, o desembargador disse apenas que preferia não entrar em detalhes sobre os suspeitos, para não atrapalhar as investigações. Martha Rocha, que acompanha pessoalmente o caso, não deu detalhes sobre as investigações. Contrariada, a delegada disse que o sigilo é essencial na apuração. "Este é um momento de trabalho, de silêncio, de análise de todas as informações para trata-las com coerência e cuidado. O silêncio neste momento é importante", resumiu.

 

Cerca de 20 homens da DH trabalharam a partir da madrugada de ontem em diligências em Niterói e no município vizinho de São Gonçalo, onde a juíza atuava. Até a o início da tarde, 18 depoimentos de parentes e vizinhos da vítima haviam sido tomados. Inclusive do vigia da guarita de acesso à rua da juíza. A testemunha, que não foi identificada, confirmou ter visto dois homens numa moto, que interceptaram o carro da magistrada.

 

Zeca Borges, diretor do Disque-Denúncia, disse que o serviço já recebeu 42 informações sobre possíveis suspeitos, desde a noite do crime. Segundo ele, levantamento apontou que, de 2002 até o dia da morte da juíza, o Disque-Denúncia havia recebido 37 informações sobre ameaças contra a magistrada.

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