Investigação: tire suas dúvidas sobre o acidente da Gol

O acidente que envolveu o Boeing da Gol e o jato Legacy, que resultou na morte de 154 pessoas, ocorreu em 29 de setembro mas, ainda há muitas dúvidas em relação às causas. As investigações continuam e apontam para uma sucessão de pequenos erros que, juntos, teriam provocado a tragédia. De acordo com o comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Luiz Carlos Bueno, não há prazo para a conclusão dos trabalhos. As caixas-pretas do Boeing e do jato que estavam sendo analisadas pela Organização de Aviação Civil Internacional, no Canadá, já estão no Brasil para análise da comissão que investiga o acidente e equipes ainda procuram na mata o cilindro de voz da caixa-preta do Boeing, além de outros destroços que possam auxiliar nas investigações.Abaixo as principais dúvidas sobre o acidente: Que falhas do controle aéreo brasileiro estão sendo investigadas?Se houve, por exemplo, problema de comunicação entre os aviões e os Cindactas-1 (Brasília) e 4 (Manaus). Se há ?buracos negros? ou ?pontos cegos? na cobertura dos radares. Se há regiões em que a comunicação por rádio é precária.Por que eventuais falhas no sistema de controle não podem, por enquanto, ser incluídas entre as possíveis causas do acidente?Porque essas falhas são contornadas por sistemas alternativos de comunicação. Pilotos usam outros aviões como ?ponte? de comunicação quando as freqüências de rádio têm problemas.Empresas internacionais de aviação sabem que o Norte do País tem controle de vôo?Sabem. E as empresas e o governo americano sabem melhor do que ninguém. Foi uma megaempresa americana, a Raytheon, que ganhou a licitação para instalar o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), que incluiu o Cindacta-4.O que pode ser, até o momento, chamado de ?erro crasso??Os pilotos do Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, e um dos passageiros, o jornalista Joe Sharkey, do The New York Times são unânimes: voavam, entre Brasília e Manaus, a 37 mil pés. A informação consta do depoimento dos pilotos dado à Polícia Civil de Cuiabá (MT).Por que isso foi um ?erro crasso??Qualquer carta de vôo mostra que nessa região as vias são de ?mão dupla?. Para quem vai rumo ao Norte, como o Legacy, as alturas são pares. As vias com alturas ímpares são de quem vem para o Sul. Entre São Paulo e Brasília, as aerovias têm ?sentido único?.Qual era o plano de vôo do Legacy?Os pilotos do jato da ExcelAire registraram o seguinte plano: São José dos Campos-Brasília, a 37 mil pés; Brasília-Teres (ponto virtual a 300 km do acidente), a 36 mil pés; Teres-Manaus, a 38 mil pés. Ou seguiam o plano ou pediam ao controle para fazer alguma mudança.Mesmo tendo registrado um plano de vôo com alturas diferentes, os pilotos devem comunicar aos controladores as mudanças?Sim. As regras internacionais dizem que, se a comunicação for impossível, o piloto deve acionar um código do transponder que avisa sobre a falha, seguindo o plano de vôo.Os pilotos dizem que, ao passar por Brasília, não conseguiram contactar o Cindacta-1. Por isso, rumaram para Manaus sem baixar para os 36 mil pés. É normal?Não, o piloto deve seguir o plano traçado. Além disso, é difícil achar um piloto que acredite na impossibilidade de comunicação sobre Brasília. E sempre é possível fazer uma ?ponte? com a freqüência de outro avião - os pilotos do Legacy fizeram isso com um cargueiro americano da empresa Polar Air, em cima da Amazônia, para poder aterrissar.Os pilotos do Legacy juram que não desligaram o transponder. É possível que o aparelho tenha apresentado falha técnica?Sim. O estranho, porém, é que a Embraer e os pilotos admitem que o transponder funcionava e deixou de funcionar minutos antes do choque. Só voltou a funcionar depois da colisão, quando os pilotos digitaram o código de emergência. Existe ainda a hipótese de que, ao ter de digitar um novo código, o piloto tenha se equivocado, fazendo com que o aparelho entrasse em ?stand by?. Nesse modo, é impossível fazer sua leitura.Houve comunicação do Legacy com o controle antes do choque?Sim. Entre São José dos Campos e Brasília, o Legacy comunicou-se cinco vezes com o controle de vôo. Depois, os Cindactas-1 e 4 tentaram contato por sete vezes.

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