Investigações da morte de diretor de Bangu não avançam

Titular da Delegacia de Homicídios do Rio disse que as informações que ele tinha não podiam ser passadas

Felipe Werneck, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 19h22

Um semana após o assassinato do tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, diretor do presídio Gabriel Castilho (Bangu 3B), a investigação do crime não avançou. Titular da Delegacia de Homicídios, o delegado Roberto Cardoso, responsável pelo inquérito, disse nesta quinta-feira, 23, que "não tem nada de novo" sobre o caso. Cardoso deu rápida entrevista quando deixava, no início da tarde, o prédio da Chefia de Polícia Civil, onde fica seu gabinete. Quando indagado sobre o andamento do inquérito, uma semana após o crime, ele declarou: "O que tem, não posso passar". Em seguida, já dentro do elevador, repetiu que não havia novidade.   Veja também: Suspeitos de matar diretor de Bangu 3 são transferidos para MS Secretário faz críticas à falta de segurança na Av. Brasil, no Rio Diretor de Bangu 3 é enterrado; agentes contradizem Beltrame Sete diretores foram mortos em 8 anos      O acesso ao inquérito não foi permitido. Cardoso ouviu quatro pessoas na quarta-feira: o subdiretor do presídio, Eduardo Souza Neto, a secretária de Lourenço, Luciene da Silva, o irmão dele, Alexandre do Amaral Lourenço, diretor da unidade prisional Bangu 3A, e a viúva, Beatriz Lourenço. Eles não deram entrevista. A perícia ainda não trouxe resultados à investigação. Segundo testemunhas, os assassinos não se aproximaram do carro do diretor.   Os tiros foram disparados da Avenida Brasil em direção ao carro de Lourenço, que, perseguido, havia desviado para uma estrada lateral. Uma caminhonete Blazer que teria sido usada pelos criminosos foi apreendida um dia após o assassinato. Era semelhante à que foi descrita por testemunhas, e tinha placa clonada e chassi adulterado. Foi encontrada por uma equipe da Delegacia de Homicídios em Magé, na Baixada Fluminense.   Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, o deputado Alessandro Molon (PT) pretende ouvir nesta sexta-feira, 23, em audiência pública, o secretário de Administração Penitenciária do Estado, Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, o presidente do Sindicato de Servidores do Sistema Penal, Francisco Rodrigues, e o delegado.   Até esta tarde, os dois primeiros haviam confirmado presença, segundo Molon. "É grave se a investigação para saber quem foi o responsável pela morte ainda não tiver avançado", declarou o deputado. "Também vamos buscar informações sobre por que o Estado falhou na segurança do diretor e também sobre que medidas foram adotadas para evitar que outros sejam assassinados." Nos últimos oito anos, sete diretores de presídios fluminenses foram assassinados.   Diretor de Comunicação do sindicato, Damião Santos disse que foi suspenso um protesto de agentes, previsto para sexta, que pretendia impedir a visitação em cadeias controladas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), que teria ordenado o assassinato de Lourenço. Os agentes reivindicam mais segurança no trabalho. Santos não soube dizer, porém, o que levou o sindicato a cancelar a manifestação. "Nosso presidente está reunido com o secretário. Apenas recebi o informe e repassei." A reunião não havia terminado até o início da noite.   Presidente da comissão de Segurança Pública da Assembléia, o deputado Wagner Montes (PDT) afirmou ter recebido denúncia de que pistolas de agentes penitenciários foram recolhidas. A reportagem encaminhou e-mail para a secretário de Administração Penitenciária com oito perguntas e um pedido de entrevista com o novo diretor indicado para assumir Bangu 3, Gilson Nogueira. Não houve resposta até as 18h45.   (Colaborou Pedro Dantas)

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