Investigações do acidente da Gol levarão 8 meses, diz coronel

O chefe da Divisão de Investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), coronel Rufino Antônio da Silva Ferreira, responsável pela investigação do acidente do Boeing da Gol com o Legacy da empresa americana ExceAir, indicou nesta quinta-feira que a conclusão das investigações da Aeronáutica deve demorar pelo menos mais oito meses. Segundo ele, os primeiros 45 dias foram dedicados à coleta de informações. ?A investigação de um acidente desta magnitude não é breve. É um processo demorado. Minha previsão é de que demore, ao todo, oito meses?. Ele disse, porém, que o prazo pode ser estendido por mais tempo. ?Há investigações de acidentes internacionais recentes que levaram três anos?, argumentou.De acordo com o coronel Rufino, qualquer conclusão seria prematura. ?No momento, eu ainda não tenho nenhuma coisa que eu possa dizer ?isso contribuiu?. Tenho várias linhas, vários pontos que eu preciso investigar e reunir dados?, disse. O coronel garantiu, no entanto, que é possível afirmar que os pilotos de ambas as aeronaves não perceberam a aproximação. ?Ninguém viu ninguém. Não houve percepção visual e não ocorreu nenhuma tentativa de ação ou manobra evasiva de acordo com os dados dos gravadores de vôo?.O relatório revela ainda que os sistemas TCAS (sistema embarcado que serve para evitar colisões) de nenhuma das duas aeronaves emitiu qualquer alerta de tráfego ou recomendou procedimentos para evitar o choque. De acordo com o coronel Rufino, logo após o choque a aeronave Boeing teria se desmanchado. ?Após a colisão, o Boeing ficou incontrolável aos pilotos e caiu (...). E, com certeza, se desintegrou no ar. Uma aeronave que viajava a 11 mil km de altitude, a 800 km/h, e que ao atingir o solo havia avançado apenas 6 km perdeu completamente a capacidade de vôo, se desintegrando?. Sobre o fato de ainda não ter ouvido os controladores de vôo que estavam de plantão no dia do acidente por eles terem apresentado atestados médicos, o coronel Rufino explicou que os depoimentos não eram imprescindíveis à primeira etapa das investigações. Mas não deixou de destacar que espera ouvi-los em breve. Os atestados eram válidos até o último dia 13.A comissão já recuperou os dados dos registradores de vôo das duas aeronaves, entrevistou e submeteu a exames médicos os tripulantes do Legacy; realizou testes preliminares nos equipamentos do Legacy para averiguar seu funcionamento; e examinou os destroços do Boeing atrás de indícios que ajudassem a esclarecer o que aconteceu com o avião. A comissão também está analisando os dados registrados pelos radares do Cindacta 1, em Brasília, e Cindacta 4, em Manaus.

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