Investigada participação de PMs em roubo de caixas eletrônicos

A Delegacia de Roubos e Furtos está investigando a participação de policiais militares numa quadrilha especializada em roubo de caixas eletrônicos instalados em empresas. Eles estariam usando informação privilegiada da PM para cometer os assaltos. Na madrugada desta terça-feira, o grupo teria agido novamente.Dez homens armados invadiram um dos prédios da Telemar, operadora de telefonia fixa do Rio, em Botafogo, na zona sul. Eles arrombaram caixas eletrônicos do Banco do Brasil, mantiveram 30 funcionários presos numa casa de máquinas, e deixaram um boneco do lado de fora do prédio, como se fosse um segurança. Foi o terceiro assalto a instalações da Telemar e o quarto roubo de caixas eletrônicos desde o início do ano.Os homens chegaram ao prédio pouco depois da meia-noite. Um deles entrou pela janela do primeiro andar, que é aberta depois das 18 horas, quando o sistema de ar-condicionado é desativado. Ele rendeu o gerente Ricardo Rodrigues, de 23 anos, que reagiu. O assaltante então saiu pela janela novamente. Rodrigues correu até a garagem para avisar o vigia e tentar chamar a PM.Quando a porta eletrônica foi aberta, o grupo inteiro entrou no prédio. Todos os funcionários que ainda trabalhavam no edifício de cinco andares foram levados para a casa de máquinas do reservatório de esgoto. Os assaltantes recolheram alguns telefones celulares e todas as baterias para evitar que alguém chamasse a polícia."Eles não foram agressivos e pediram calma. Disseram que, quando ouvíssemos barulho de carros, deveríamos sair da sala com tranqüilidade. Só tive medo de alguma patrulha passar pela rua e perceber a situação, porque aí nós poderíamos virar reféns", disse o analista de suporte Paulo Henrique Santos Cavalcanti, 28 anos.Os assaltantes permaneceram três horas no prédio. Arrombaram um caixa eletrônico, que havia sido abastecido com R$ 80 mil, e iniciaram a abertura de outro equipamento, mas a polícia acredita que o gás acetileno do maçarico tenha acabado. Eles também abriram o cofre da agência, mas só encontraram cheques e cartões.Segundo o delegado substituto da DRF, Luiz Businaro, a Telemar não tem segurança no prédio: somente dois vigias desarmados estavam de plantão, e, por determinação da empresa, os caixas eletrônicos não estavam chumbados ao chão ? tinham rodinhas que facilitaram o transporte do equipamento ? e o Banco do Brasil não pôde instalar as câmeras de vigilância próximas aos caixas.?A Telemar teme o vazamento de informações sigilosas da empresa. A empresa já comprou as próprias câmeras, mas não licitou ainda a instalação?, afirmou o delegado. A assessoria de imprensa da Telemar informou que tem seguranças em número suficiente. A direção só vai comentar o caso depois de concluídas as investigações policiais.De acordo com Businaro, esse tipo de comportamento por parte das empresas dificulta o trabalho da polícia. ?Começamos a investigação quase do zero. Só descobrimos alguma coisa porque juntamos com informações de outros casos que ocorreram recentemente?, disse. Ele se referia aos assaltos ao Instituto Bennet, também em Botafogo, e ao Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha, ambos no último dia 29, e ao prédio da própria Telemar, na Cidade Nova, em 7 de janeiro.A DRF investiga se uma equipe de policiais militares estaria fazendo levantamento junto a empresas sobre o esquema de segurança, como se fosse uma ação oficial. Na verdade, as informações eram usadas nos assaltos. A polícia já tem o retrato de dois dos três suspeitos e vai solicitar à Justiça mandado de busca e apreensão, além da prisão preventiva.Um incêndio na manhã desta terça-feira no prédio da Telemar em Ipanema, na zona sul do Rio, assustou os funcionários e quem passava pelo local. O fogo aconteceu no segundo andar e ninguém ficou ferido. O edifício foi evacuado rapidamente, e os bombeiros não tiveram problemas para apagar as chamas.O calor acima do normal acionou o sistema de segurança, que desativou duas centrais telefônicas do prédio, congestionando as linhas da região. Os bairros mais atingidos foram Copacabana e Ipanema. Os telefones voltaram a funcionar às 15h35.

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