Investigador mata colega no Brás

Ambos estariam apurando denúncia de tráfico de drogas; delegado classificou o caso como ?fatalidade?

Camilla Haddad e Daniela do Canto, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

O investigador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Edson Aires Orphanake, de 36 anos, foi morto na madrugada de ontem pelo colega de profissão Reinaldo Noronha Zachari, de 35, na porta de sua casa, na Rua Melo Barreto, no Brás, zona leste da capital. Segundo o delegado Emílio Antonio Paschoal, da Divisão de Operações Policiais, Zachari se apresentou logo após o crime e foi preso. Em depoimento, ele afirmou que investigava denúncia de tráfico de drogas na Praça Domingos Frangione, próximo do local do crime. Ao se passar por usuário de maconha, Zachari, que estava em uma Parati preta descaracterizada, parou na frente da casa de Orphanake e pediu "um baseado" para Cláudio Aires, que estava na rua e é irmão do policial morto e também policial - ele trabalha no Grupo de Operações Especiais (GOE). Cláudio mandou Zachari sair do local e o chamou de "louco". Ao ouvir a discussão, Orphanake saiu de casa. Ainda em depoimento, o investigador preso disse que logo após a ofensa, ele teria sido alvo de disparo e por isso teria dado os dois tiros que acertaram o policial do DHPP. A versão de Zachari foi desmentida por Cláudio. Segundo o delegado, somente após os tiros foi esclarecido que eram policiais de ambos os lados. "Foi uma fatalidade. Um não conhecia o outro."Ainda de acordo com o delegado, horas antes do crime, a vítima comunicou à Primeira Seccional do Centro que havia um grupo de traficantes agindo perto de sua casa. O policial teria pedido ajuda, já que não queria se envolver no caso, por morar na região. PERFISPaschoal disse que espera concluir o inquérito em dez dias para entregá-lo à Justiça. Zachari está detido no presídio especial da Polícia Civil, na zona norte. Ele está há 11 anos na corporação e já trabalhou como agente penitenciário. Sua arma, um revólver calibre 38, foi apreendida. Ela tinha registro e era de uso particular. Orphanake trabalhava no DHPP havia seis anos. O delegado Marcos Carneiro, divisionário do departamento, disse que ele era um "excelente policial, que não tinha nenhuma ocorrência em seu histórico". A vítima integrava a equipe H-Leste de investigações.O policial era noivo e deixou uma filha de 2 anos. Ele foi velado ontem na Academia de Polícia e será enterrado hoje.

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