Investigadores do Denarc se apresentam e são presos

O juiz-corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) e Polícia Judiciária, Maurício Lemos Porto Alves, decretou hoje a prisão temporária por 15 dias dos cinco investigadores do Departamento de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil, acusados de vender drogas, extorquir e espancar dependentes, traficantes e prostitutas na região da cracolândia, no bairro de Santa Ifigênia, centro. Até o início da noite de hoje quatro já haviam se apresentado e levados ao presídio da Polícia Civil.Além das prisões dos investigadores José Carlos de Castilho, Mauro Cezar Bartholomeu, Hélio Carlos Barba, Alessandro Ramos da Silva e Guilherme Barbosa Palazzo, o juiz decretou sigilo na investigação, a cargo da Corregedoria da Polícia Civil. O prazo da prisão poderá ser prorrogado por até 30 dias.Em seu despacho, o magistrado defendeu a imagem da polícia. "Existem cerca de 100 mil mandados de prisão aguardando cumprimento em São Paulo. Nem por isso cabe dizer que a população paulista, de 30 milhões de pessoas, seja formada por ´bandidos´. De igual modo, a Polícia Civil de São Paulo, como relevante instituição, com seus 33 mil funcionários, tão desmotivados e desrespeitados pela imprensa e desprestigiados, não merece ser ainda mais atacada", afirmou Porto Alves na decisão.As imagens gravadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), que mostram os policiais "em ação" na cracolândia, foram consideradas pelo juiz "cenas que estarreceram a polícia e a sociedade civil". O juiz ressaltou ainda que os que causarem prejuízo à polícia devem ser "retirados" da instituição. O corregedor-geral da Polícia Civil, Ruy Estanislau e o promotor Roberto Porto discutiram hoje a situação de outros policiais supostamente envolvidos.Os cinco policiais entregaram suas armas e identidades funcionais no fim da noite de quinta-feira. Barba, Silva e Palazzo - que trabalhavam no Setor de Operações e Investigações (SOI) - e Bartholomeu se apresentaram e foram presos no fim da tarde desta sexta-feira, sendo levados para o presídio. Castilho, que trabalhava com Bartholomeu na 3ª Delegacia da Divisão de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), apresentou-se à Corregedoria no início da noite e também já está preso. A preocupação dos policiais era evitar uma superexposição na mídia.O diretor do Denarc, Marco Antonio Ribeiro de Campos, esteve reunido com o secretário da Segurança, Marco Vinicio Petrelluzzi, e com o delegado-geral de Polícia, Marco Antonio Desgualdo. Campos informou as providências adotadas e explicou que jamais admitiu corrupção no departamento. "Ladrões e traficantes não trabalham e jamais trabalharam comigo. Este tipo de gente só tem um lugar, que é a cadeia."O delegado José Roberto Arruda, responsável pelo SOI, apresentou os relatórios do trabalho executado na cracolândia nos últimos dois anos com dezenas de prisões, flagrantes, apreensões e buscas em hotéis e casas. "Se os policiais adotaram a conduta pela qual estão sendo acusados, devem ser responsabilizados."Arruda informou que, além dos acusados, outros 25 policiais estão trabalhando no combate às drogas naquela região e "o trabalho é bom". O delegado explicou que os três faziam parte de uma das equipes que mais produziam. "Eles negam o envolvimento. Para mim, foi uma desagradável surpresa", disse Arruda.Palazzo, Barba e Silva explicaram que se apresentaram porque pretendem provar que são inocentes. "Pode ter havido algum excesso, mas não vendemos droga e não recebemos dinheiro", afirmou Barba. Castilho foi ouvido na Corregedoria da Polícia Civil na noite de ontem e negou ter extorquido dinheiro de traficantes e prostitutas.

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