Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

'Investirei o que for necessário nas UPPs'

Para ele, contingente maior será necessário em áreas mais belicosas como Rocinha, Alemão e Manguinhos

, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

ENTREVISTA

Sérgio Cabral Filho, candidato do PMDB à reeleição ao governo do R.J

Por que o senhor quer governar o Rio novamente?

Aprendi a amar o Rio em casa. Nesses quatro anos, meu compromisso foi rearrumar a casa e reestruturar as políticas públicas no Estado. Pegamos o Estado com menos de R$ 100 milhões em caixa e hoje tem quase R$ 10 bilhões, pagamos as contas e os servidores em dia.

Há recursos para implantar UPPs nas demais comunidades da capital e no resto do Estado? Quantos homens serão necessários para ocupar todas até 2014?

É preciso um número maior de contingente em comunidades com maior número de habitantes e com um grau de belicosidade maior, caso da Rocinha, do Alemão, de Manguinhos, do Complexo da Maré. Nesse nível, são umas seis. Se eu estou com a casa arrumada, (vamos investir) o que for necessário. R$ 500 milhões? R$ 1 bilhão? Não vou dar um valor.

Seus adversários mostram vídeos em que o senhor confraterniza com políticos que estão presos por formação de quadrilha, corrupção e por pertencerem a milícias. Isso afeta sua imagem?

A minha resposta é a seguinte: O povo não é bobo. Quem expulsou o Álvaro Lins da polícia, quem prendeu o Jerominho, a filha dele (a ex-vereadora Carminha Jerominho), o irmão dele (Natalino) foi o meu governo.

As UPAs foram até encampadas pelo governo federal. A crítica que se faz ao programa é que elas foram implementadas em detrimento dos hospitais gerais do Estado. Por que isso aconteceu?

Isso não aconteceu. Nós triplicamos o número de leitos convencionais de enfermaria nos hospitais da rede, o número de leitos de CTI, o número de leitos de UTI neonatal. Hoje, o Rio tem um hospital público, o Alberto Torres, em São Gonçalo, que tem o maior número de leitos de UTI no Brasil. Público e privado. Ainda temos desafios muito grandes na Saúde. A nossa capital tem o menor porcentual de cobertura do Programa de Saúde da Família do Brasil.

Já falamos de alguns projetos do seu governo que foram encampados pelo governo federal ou pela campanha da Dilma...

Olha, tem um que eu vou te dizer. O bilhete único. Nós vamos gastar cerca de R$ 200 milhões por ano, mas o impacto econômico disso é de mais de bilhão. Porque isso gera uma empregabilidade, uma acessibilidade. Conversei com a Dilma sobre o programa e os olhinhos dela brilharam.

O que fazer para o Rio se aproveitar dos Jogos Olímpicos como Barcelona (1992) e não como Atenas (2004)?

Na área de segurança, por exemplo, eu não quero 21 dias de Olimpíadas e mais 21 dias de Paraolimpíada segura. Isso a gente fez no Pan (em 2007). Eu quero segurança antes, durante e depois. A gente quer uma política de habitação, saneamento e transporte que sejam legados. Além disso, posso garantir que serão os Jogos mais alegres, festivos e comoventes da história pelo povo que eu conheço. O Rio vai virar um case.

O escritório de direito da primeira-dama, Adriana Ancelmo, tem como clientes empresas concessionárias do serviços público, como as que exploram o Metrô e os trens do Estado. Não se trata, na sua avaliação, de um caso de pelo menos conflito de interesses?

Quando eu a conheci minha mulher, ela já tinha esse escritório. E, depois que eu deixar o governo, ela vai continuar tendo o escritório. Todas as empresas, de alguma maneira, tem relacionamento com o governo do Estado. Seja pela fiscalização tributária, seja pela Junta Comercial do Rio, seja por qualquer outra razão. Minha mulher não advoga contra o Estado. A atividade profissional dela não conflita em nada com os princípios éticos.

QUEM É

Governador do Estado do Rio e candidato à reeleição pelo PMDB, Sérgio Cabral Filho tem 47 anos e é jornalista de formação. Foi senador (2003 a 2006), presidente da Assembleia Legislativa do Rio (1995 a 2002) e três vezes deputado estadual. É casado com a advogada Adriana Ancelmo e tem cinco filhos. Aliado do presidente Lula desde 2006, apoia a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República.

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