Iperó quer impedir a volta de presos do PCC

Moradores de Iperó, na região de Sorocaba, interior paulista, estão se mobilizando para tentar impedir a volta de presos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) à penitenciária da cidade. O presídio está em reformas desde que foi destruído numa rebelião, em março deste ano. Antes o presídio tinha capacidade para 852 presos. Como as instalações foram ampliadas, deverá receber cerca de 1.300 detentos. A transferência está prevista para o período entre 11 e 14 de outubro. Serão levados para Iperó integrantes do PCC que cumprem pena na penitenciária de Iaras e em presídios do oeste paulista. O advogado Emílio Guazzelli considera que a cidade será duplamente penalizada. "Brigamos muito para que a penitenciária não viesse para cá e perdemos. Queremos, pelo menos, que os presos não sejam do PCC." Segundo ele, com o presídio sob o comando da facção, a cidade viverá um clima ainda maior de insegurança. PasseataUm grupo de professores está organizando uma passeata contra a lotação do presídio com integrantes da facção. "Se for preciso, vamos fazer uma vigília no acesso da penitenciária," disse a professora que coordena o movimento. Ela pediu a omissão do seu nome, com medo de sofrer represálias. "Está todo mundo apavorado, pois dizem que Iperó vai ser a nova central do PCC." O grupo vai à Câmara e à prefeitura na próxima semana em busca de apoio.Segundo o delegado da Polícia Civil, Alexandre Cassola, apesar da rebelião que destruiu o presídio, a cidade não teve registro de ataques durante as ondas de atentados atribuídos ao PCC. Faz parte da estratégia da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) não fornecer informações sobre transferências de presos. De acordo com o coordenador de unidades prisionais da região central do Estado, Hugo Berni, não há como evitar a transferência apenas de presos ligados à facção, pois não é possível misturar presos de várias facções em uma mesma unidade. O PCC domina a maior parte dos presídios paulistas.

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