Ipês rosados colorem paisagem de São Paulo no inverno

Estação faz árvores florescerem e quebra o tom cinza do horizonte paulistano

Agencia Estado

03 Julho 2007 | 15h29

Espalhados por todos os cantos da cidade, os ipês estão tão floridos que parecem buquês gigantes - eles chegam até 30 metros de altura e 90 centímetros de diâmetro. Sem folhas, a luz passa pelas copas. No contraste com o céu azul, típico desta época do ano, suas flores ficam ainda mais evidentes. Impossível não reparar. Quem não costuma olhar para o alto vê ruas e calçadas forradas por um tapete formado por flores, que caem das copas dessas árvores. Exuberante, a cor das flores dos ipês causa polêmica: é rosa ou roxa? A questão divide leigos e especialistas. "É rosa", diz o engenheiro agrônomo Shoei Kanashiro, pesquisador do Instituto de Botânica da Secretaria do Meio Ambiente do Estado. "É roxa", afirma Lucia Rossi, outra pesquisadora do mesmo instituto de botânica. Ficamos então com o meio termo, uma flor de um rosa indefinido. Do gênero Bignoniaceae e das espécies Tabebuia impetiginosa e heptaphylla, o ipê é uma flor nativa. Ocorre naturalmente no sul e oeste da Bahia, no Espírito Santo, Minas, Mato Grosso do Sul, Rio, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo. Mais popular, o ipê amarelo transformou-se na flor símbolo do Brasil. Mas, entre o fim do outono e o começo da primavera, a vez é do ipê rosa ou roxo florescer. "Tem gente que acha que elas estão florindo antes", diz o paisagista Benedito Abbud. "É bobagem. Há muitas espécies que dão flores nesta época, como a azaléia e a primavera. O inverno é uma estação muito colorida." Segundo o engenheiro agrônomo Kanashiro, o ipê tem todas as características para ser uma árvore urbana. "Ela enfeita e quebra o cinza da cidade. Além disso, atrai abelhas e beija-flores." Mas não pode ser plantada em qualquer lugar. "Deve-se evitar locais com fios elétricos, porque a copa é grande", avisa Abbud. "No verão, ela dá uma sombra generosa e no inverno, sem folhas, deixa passar a luminosidade do sol." Abbud defende também o plantio de espécies frutíferas, que atraem uma variedade maior de pássaros para a cidade. O paisagista vai além. Propõe a construção de calçadas verdes e ecológicas. Feitas de material que permite a drenagem da água da chuva, elas comportariam grama, arbusto - entre outros tipos de forrações - e árvores. "O material da calçada permite que as águas pluviais alimentem o lençol freático", explica. A idéia aliviaria um pouco o problema das enchentes, que no verão transformam a vida dos paulistanos num verdadeiro caos. São Paulo tem, segundo a Secretaria da Coordenação das Subprefeituras, um total de 72 milhões de metros quadrados de calçadas. Isso corresponde a quase 50 Parques do Ibirapuera, o que já deixaria a cidade mais aprazível. Guia de parques Para conservar as áreas verdes que ainda restam, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente do Município pretende criar 19 novos parques até o fim de 2008. "Hoje são 33 parques", diz o chefe de gabinete da pasta, Hélio Neves, que lançou o Guia dos Parques Municipais de São Paulo. O livro é uma espécie de roteiro dos parques. "As pessoas saem de longe para ir ao Ibirapuera porque não conhecem outros lugares. Alguém já ouviu falar no Parque Cidade de Toronto? Fica em Pirituba (zona norte) e tem boa estrutura de lazer."

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