Iphan tomba 35 obras de Niemeyer

Lista inclui palácios de Brasília, Congresso Nacional, museus no RJ e no PR e Ibirapuera e Copan, em SP

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 de dezembro de 2007 | 00h00

Em meio às homenagens aos 100 anos de Oscar Niemeyer, que serão completados no dia 15, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai tombar 35 prédios e monumentos criados pelo arquiteto em nove cidades do País. A decisão foi ratificada ontem pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que se reuniu no Palácio Capanema, no Centro do Rio. A lista foi elaborada pelo próprio Niemeyer e entregue por ele ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, em julho. O conselho também recomendou ao Iphan um estudo para o tombamento do conjunto da obra do arquiteto.A princípio, o conselho apreciaria apenas o tombamento de 23 obras do projeto de Brasília e da Casa das Canoas, na zona sul do Rio, onde Niemeyer viveu com a família por 12 anos - ali há documentos, plantas e inventários completos. No entanto, para atender ao pedido do arquiteto, o conselho aprovou também o tombamento provisório de outros 11 marcos arquitetônicos que levam a sua assinatura. As medidas burocráticas serão tomadas posteriormente pelo Iphan, no prazo de 60 dias.Em Brasília, a lista de bens tombados inclui os Palácios do Planalto e da Alvorada, a Praça dos Três Poderes, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. Também estão na lista a Esplanada dos Ministérios e os Palácios do Itamaraty e da Justiça, além dos Memoriais JK e dos Povos Indígenas. Inaugurado em 2006, o Conjunto Cultural Sul, que tem um museu em formato de calota, também foi protegido. Ele fica ao lado da Catedral de Brasília, um dos poucos prédios que já tinham tombamento federal. Só o projeto urbanístico de Brasília já havia sido tombado, em 1990, impedindo alterações no traçado das ruas do plano piloto, alteração do gabarito dos prédios ou até mesmo modificação da setorização da cidade. Há 20 anos, Brasília foi a primeira cidade do século 20 a ser alçada à condição de Patrimônio da Humanidade pela Unesco, organismo das Nações Unidas. O tombamento individual das obras de Niemeyer em Brasília reforçará os meios de preservação de sua obra, uma vez que impedirá na prática que reformas e ampliações alterem o projeto original do arquiteto. Recentemente, a parede de uma capela do Palácio Alvorada precisou ser restaurada porque uma reforma anterior havia escondido afrescos com tinta. Com o tombamento, intervenções como essa não serão possíveis sem a autorização e a supervisão do Iphan.

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